Nesta terça-feira, 31 de março, encerra-se um prazo histórico para o meio ambiente global. A presidência brasileira da COP30 manteve aberta até hoje uma chamada internacional para receber contribuições de países, governos, ONGs, setor privado, academia e sociedade civil sobre os chamados "mapas do caminho" dois roteiros estratégicos que o Brasil se comprometeu a elaborar após a conferência de Belém: um para o fim do desmatamento global e outro para a transição para longe dos combustíveis fósseis, as principais causas do aquecimento do planeta.
Por que essa consulta existe
A história começa na COP30, realizada em Belém em novembro de 2025. Apesar de aprovadas 56 decisões por consenso entre os 195 países participantes o chamado Pacote de Belém, a conferência terminou sem conseguir incluir formalmente na agenda o tema dos combustíveis fósseis, nem avançar em decisões concretas sobre desmatamento. O presidente da COP, embaixador André Corrêa do Lago, então criou, por iniciativa própria, dois mapas do caminho paralelos às negociações formais da ONU: documentos que vão orientar como o mundo pode, na prática, caminhar para o fim do desmatamento e para abandonar gradualmente os combustíveis fósseis antes da COP31.
Num movimento incomum já que o processo é paralelo às negociações oficiais, a consulta foi aberta via UNFCCC, a Convenção do Clima da ONU, para garantir legitimidade e alcance global.
O que acontece agora com as contribuições
Tudo o que foi submetido até hoje servirá de base para os documentos que o Brasil apresentará à comunidade internacional ao longo de 2026, de forma gradual, antes da COP31, prevista para novembro em Antália, na Turquia. O objetivo da presidência brasileira é ter os dois mapas prontos até outubro um mês antes da próxima conferência para que os países tenham tempo de analisar e debater as propostas. O embaixador Corrêa do Lago enfatiza que a meta é encontrar equilíbrio: documentos suficientemente ambiciosos para avançar na agenda climática, mas que também permitam consenso internacional sem afastar grandes produtores de energia da mesa de diálogo.
O contexto mais amplo
O Brasil permanece à frente das negociações climáticas globais como presidente da COP até o início da COP31. Entre as outras prioridades da presidência brasileira está a definição da estrutura de financiamento climático de US$ 1,3 trilhão por ano meta estabelecida para apoiar países em desenvolvimento na transição ecológica, além do fortalecimento da chamada Agenda de Ação, que busca transformar negociações em implementação real e mensurável no terreno.
Em paralelo, entre os dias 24 e 28 de abril, acontece em Santa Marta, na Colômbia, a Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis um encontro que deve produzir documentos complementares ao processo liderado pelo Brasil.
O desafio brasileiro
O caminho não é simples. O plano nacional de transição energética do Brasil, demandado pelo presidente Lula ainda em dezembro de 2025, segue travado internamente. E a tensão entre compromissos climáticos e segurança energética continua real: ainda está em vigor a prorrogação de contratos de termelétricas a carvão até 2040, aprovada dias após a COP30, em contradição com as recomendações do próprio Ministério do Meio Ambiente. Mesmo assim, o Brasil segue como uma das vozes mais relevantes na agenda climática global e hoje é um dia concreto desse trabalho.
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