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Diário de Notícias

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IA engana turistas à procura de fontes termais inexistentes

Na Austrália, uma agência de viagens publicou em seu blog uma recomendação de visita às "Fontes Termais de Weldborough", descritas como um refúgio isolado na floresta, com águas ricas em minerais terapêuticos, no norte da Tasmânia. O texto chegou a aparecer entre as "7 melhores experiências termais da Tasmânia". Só havia um problema: essas fontes nunca existiram. O conteúdo foi gerado por ferramentas de inteligência artificial e publicado sem nenhuma revisão humana.

O resultado foi gente de verdade percorrendo cerca de 110 quilômetros até a pequena localidade de Weldborough, no nordeste da Tasmânia, em busca de uma piscina termal que era pura invenção digital. O proprietário da empresa por trás do blog admitiu à emissora pública australiana ABC que houve uma falha no uso da IA, justificando que a empresa tenta manter o site sempre atualizado com conteúdo novo para aparecer melhor nas buscas.

O caso não é isolado. Relatos parecidos aconteceram nos Andes peruanos, onde um guia teve que explicar a turistas que o "Cañón Sagrado de Humantay", apresentado num roteiro gerado por IA com descrição rica em detalhes, também não existia: era uma mistura de nomes e características de lugares reais, costurada por um chatbot.

O que torna isso ainda mais curioso é a escala do problema. Segundo uma pesquisadora de turismo da Southern Cross University, cerca de 37% dos turistas hoje usam inteligência artificial para montar roteiros ou pedir recomendações de viagem. Especialistas em segurança de viagens já classificam essa tendência como um risco real, alertando que IA é ótima para inspirar uma viagem, mas perigosa quando usada como fonte definitiva, sem checar horários em sites oficiais, confirmar trajetos em mapas reais ou buscar relatos de quem já esteve no local.

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