A Bolsa brasileira fechou a sessão desta segunda-feira, 13, em baixa. O efeito dos ganhos do petróleo sobre as ações da Petrobras não foi suficiente para evitar a queda do Ibovespa nesta segunda, mas ao menos limitou o estrago causado pelas perdas do setor financeiro, das ações ligadas ao ciclo econômico e da Vale. O nervosismo do mercado foi alimentado pela piora das tensões no Oriente Médio, sobretudo com o risco de fechamento do Estreito de Ormuz, agravada à tarde por relatos de ataques mútuos entre Iêmen e Arábia Saudita, que acentuaram os temores com o cenário inflacionário e, consequentemente, com a possibilidade de alta de juros.
A Bolsa chegou a operar brevemente no azul pela manhã, mas o sinal negativo preponderou ao longo da sessão, diante do estresse com o quadro internacional, num dia de agenda doméstica esvaziada. O Brent, referência para a Petrobras, para setembro, fechou em alta de 9,5%, a US$ 83,30 o barril, o que ajudou as ações da companhia a subirem em torno de 3%.
Pela manhã, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o país queria tomar o controle do Estreito de Ormuz, que responde por 20% do fluxo global de petróleo, e cobrar uma taxa sobre as cargas transportadas para custear a segurança da navegação. À tarde, ele informou bloqueio a portos e áreas costeiras do Irã a partir de terça-feira, 14, o que Teerã considerou uma agressão direta e prometeu responder. Além disso, houve relatos de que a Arábia Saudita interceptou ataques de retaliação do Iêmen, disparados contra regiões sul do país e, ao mesmo tempo, relatos de quatro explosões em Bandar Abbas, cidade da principal base da Marinha do Irã.
A leitura do mercado é de que a retomada das negociações sobre o acordo de paz está ameaçada, o que deve prolongar a volatilidade nos preços do petróleo. Para Max Bohm, estrategista-chefe da Nomos, o mercado já está precificando novamente o fechamento do Estreito. "O risco de inflação volta a colocar medo nos mercados, com juros pra cima e Bolsa pra baixo", resumiu Bohm, com a ressalva de que, se não fosse o desempenho das petroleiras, o índice poderia ter caído mais de 2%. Além de embalar o avanço de Petrobras ON (+3,44%) e PN (+2,55%), o petróleo também favoreceu Prio ON (+3,16%), além de Petrorecôncavo (+0,78%).
Mesmo com a ponderação de que o atual nível do petróleo ainda está distante dos US$ 100 alcançados durante a guerra, a retomada da trajetória altista da commodity é vista como um elemento de cautela para a ação dos bancos centrais. "A inflação, que já estava dando sinais de arrefecimento tanto nos Estados Unidos quanto aqui no Brasil, pode voltar a acelerar e aí bancos centrais podem não se sentir confortáveis em cortar juros", afirma Bohm.
Também nesse sentido, Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, destaca "a movimentação significativa da abertura dos DIs" com a possível reescalada do petróleo. "Essa elevação dos DIs impacta diretamente a maior parte dos setores de Ibovespa e principalmente empresas mais alavancadas", afirma.
Entre os bancos, Itaú Unibanco PN caiu 1,76% e Bradesco PN, -0,48%. Também pesou sobre o índice o recuo de 1,79% de Vale ON, em reação às quedas do minério de ferro em Dailan e Cingapura. O Ibovespa terminou em queda de 1,20%, aos 175.739,08 pontos. Na máxima, atingiu 178.154 pontos, alta de 0,16%, e, na mínima, 175.567 pontos (-1,29%). Em julho, acumula alta de 2,16% e, no ano, de 9,07%.
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