O documentário Jared Leto: Hollywood's Dark Secret (Jared Leto: O Segredo Obscuro de Hollywood), produzido pela BBC, volta a reunir denúncias de má conduta sexual contra Jared Leto. À frente do projeto, a diretora Alice McShane acredita que fatores como a aparência do ator e a persona construída ao longo da carreira contribuíram para que as acusações tivessem pouco impacto sobre sua trajetória profissional. O vencedor do Oscar nega todas as alegações.
Em entrevista à revista Variety, a cineasta afirmou que o chamado "privilégio da beleza" ajudou a proteger Leto das consequências das denúncias. Para ela, também pesa o momento vivido pela indústria e pelo debate público, mais de uma década após o movimento #MeToo.
"Há algo acontecendo em nossa cultura. Dez anos após o movimento #MeToo, parece que a indignação com histórias como essa diminuiu. Com a ascensão da machosfera e com pessoas muito poderosas enfrentando acusações semelhantes, esse tipo de história acabou sendo normalizado na mente das pessoas", afirmou.
Na avaliação de Alice, a imagem cultivada pelo artista também funcionou como um escudo diante das acusações. "Ele cultivou uma persona de cara estranho, enigmático e misterioso, e isso, de certa forma, o protegeu de ser responsabilizado. Ele também é um homem incrivelmente bonito, e acho que existe um elemento de privilégio pela beleza nisso. Muitas das mulheres entrevistadas falaram sobre esse aspecto", acrescentou.
A produção reúne depoimentos que incluem acusações de abuso sexual, estupro de vulnerável, aliciamento de menores (grooming) e ameaças de violência sexual. As quatro denunciantes que fazem os relatos mais graves afirmam ter conhecido Jared Leto entre 2002 e 2016, quando tinham entre 16 e 18 anos. Na época, o ator estava na faixa dos 30 e 40 anos.
Em resposta ao jornal The Independent, Leto negou todas as acusações. "Nunca abusei sexualmente de ninguém em toda a minha vida. Essas alegações são absoluta e categoricamente falsas" declarou.
Entre os relatos apresentados pela BBC está o de uma mulher identificada pelo pseudônimo Isabel, que afirma ter sido abusada sexualmente por Leto em um motel de Las Vegas, em 2002, quando tinha 17 anos.
Outra denunciante, chamada de Alex, contou que conheceu o ator após um show da banda Thirty Seconds to Mars, em Londres, em 2013. Segundo seu relato, ela informou que tinha 17 anos e ouviu dele que "idade é apenas um número" antes de supostamente sofrer ameaças de violência sexual. Ela afirma ter deixado o quarto de hotel antes que o abuso ocorresse.
Clara, outra mulher ouvida pela produção, disse ter mantido relações sexuais com Leto em 2006, quando tinha 17 anos. Segundo ela, o ator ignorou uma conversa sobre a idade mínima de consentimento na Califórnia, de 18 anos, além de chamá-la de "minha garotinha" e pedir que o chamasse de "papai".
Já Etta afirmou ter conhecido o ator em uma agência de modelos de Los Angeles, em 2014, aos 16 anos. De acordo com seu depoimento, Leto passou a fazer ligações de conteúdo sexualmente explícito, perguntando se ela era virgem e sugerindo manter relações sexuais. Ela também disse que, mais tarde, o ator tentou fazê-la assinar um acordo de confidencialidade.
A BBC informou ter examinado o documento, que não chegou a ser assinado, além de e-mails e mensagens relacionados ao caso.
Além desses depoimentos, a investigação reúne relatos de outras cinco mulheres que afirmam ter recebido ligações de teor sexual de Leto quando ainda eram jovens. Quatro delas disseram que eram adolescentes na época.
Conhecido por papéis em produções como My So-Called Life e Clube de Compras Dallas, que lhe rendeu o Oscar de ator coadjuvante em 2014, Jared Leto também é vocalista da banda Thirty Seconds to Mars, formada com o irmão, Shannon Leto.
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