Autoridades iranianas indicaram nesta segunda-feira (1) que persistem divergências com os Estados Unidos nas negociações nucleares e sobre o futuro do Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que elevaram o tom contra Washington e Israel em relação ao cessar-fogo no Líbano.
Saeed Ajorlou, integrante da equipe de mídia da delegação negociadora iraniana, afirmou que, nas fases iniciais das conversas, os EUA exigiram a transferência dos materiais nucleares iranianos para território americano, proposta rejeitada por Teerã. Segundo ele, a versão mais recente da proposta americana abandonou referências explícitas à transferência ou ao descarte desses materiais, passando a utilizar termos como "definição do destino", "destino dos materiais" ou "resolução da questão dos materiais".
"Em relação aos materiais nucleares, não assumiremos qualquer compromisso de descarte ou transferência para os Estados Unidos", disse Ajorlou. Sobre Ormuz, acrescentou que ainda existem divergências e que a posição iraniana é de que a gestão do estreito permaneça sob controle do Irã.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, também rejeitou qualquer possibilidade de negociação sobre a capacidade militar do país. Ao comentar declarações do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre o programa de mísseis iraniano, afirmou que os europeus precisam "atualizar suas informações", ressaltando que Teerã não está disposto a discutir temas ligados à sua defesa nacional.
Em meio às tensões, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, escreveu que o cessar-fogo entre Irã e EUA é "inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo o Líbano", acrescentando que qualquer violação constitui violação do acordo como um todo. "Os EUA e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação", afirmou. Na mesma linha, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os dois países de descumprirem o cessar-fogo por meio do bloqueio naval e da escalada de ações militares no Líbano.
Também nesta segunda-feira, a Marinha da Guarda Revolucionária (IRGC) informou que 15 embarcações, incluindo quatro petroleiros, atravessaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas após obterem autorização das autoridades iranianas.
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