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O Irã divulgou na quarta-feira, 21, o primeiro número oficial de mortos após a repressão aos protestos em todo o país, apresentando um número muito inferior ao divulgado por ativistas no exterior.
A televisão estatal transmitiu declarações do Ministério do Interior e da Fundação dos Mártires e Assuntos dos Veteranos, um órgão oficial que presta serviços às famílias das vítimas mortas em guerras, afirmando que 3.117 pessoas foram mortas, das quais 2.427 eram civis e forças de segurança. Não foram divulgados detalhes sobre as outras vítimas.
A Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos, ONG com sede nos Estados Unidos, disse que o número de mortos na madrugada de quinta-feira era de pelo menos 4.902, e que há apreensão de que o número seja maior.
O grupo de direitos humanos tem sido preciso ao longo dos anos sobre manifestações no Irã, contando com uma rede de ativistas dentro do país que confirma todas as mortes relatadas. Outros grupos também apresentaram números mais altos do que os divulgados pelo governo iraniano.
A agência de notícias Associated Press não conseguiu avaliar de forma independente o número de mortos, em parte devido ao fato de as autoridades terem cortado o acesso à internet e bloqueado as chamadas internacionais para o país. O Irã também teria limitado a capacidade dos jornalistas locais de reportar as consequências dos eventos, transmitindo repetidamente na televisão estatal alegações que se referem aos manifestantes como "desordeiros" motivados pelos Estados Unidos e Israel, sem oferecer provas para sustentar a alegação.
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, fez sua ameaça mais direta até agora aos Estados Unidos, alertando que o Irã "responderá com tudo o que temos se formos novamente atacados".
Os comentários foram feitos depois que Araghchi viu seu convite para o Fórum Econômico Mundial em Davos ser cancelado, enquanto um grupo de porta-aviões dos EUA se deslocou da Ásia para o oeste, em direção ao Oriente Médio. Caças e outros equipamentos dos EUA pareciam estar se deslocando para o Oriente Médio depois que uma grande mobilização militar do país no Caribe levou à captura de Nicolás Maduro, ditador da Venezuela.
O número de mortos ultrapassa o de qualquer outra onda de protestos ou agitação no Irã nas últimas décadas e lembra o caos que cercou a revolução de 1979, que deu origem à República Islâmica. Embora não haja protestos há dias, teme-se que o número de mortos possa aumentar significativamente à medida que as informações vão surgindo gradualmente em um país sob um bloqueio de internet imposto pelo governo desde 8 de janeiro.
Quase 26.500 pessoas também foram presas, de acordo com a Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos. Comentários de autoridades levaram ao temor de que alguns dos detidos sejam executados.
Execuções em massa e o assassinato de manifestantes pacíficos foram duas linhas vermelhas estabelecidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio às tensões.
*Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.
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