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Diário de Notícias

DN.

O Japão se rendeu há 81 anos hoje — o dia que encerrou a Segunda Guerra Mundial

Em 14 de agosto de 1945, há 81 anos, o governo japonês comunicou aos Aliados que aceitava os termos da Declaração de Potsdam. A notícia chegou às capitais ocidentais ainda naquele dia, provocando as cenas de comemoração que ficariam conhecidas como o Dia da Vitória sobre o Japão. No fuso do arquipélago, já era 15 de agosto quando os japoneses ouviram, pela primeira vez na história, a voz do imperador Hirohito em uma transmissão de rádio — o discurso gravado que passou a ser chamado de Gyokuon-hoso, a transmissão da voz de joia.

O pronunciamento foi feito em uma linguagem cerimonial tão rebuscada que muitos ouvintes tiveram dificuldade em compreendê-lo de imediato. Em nenhum momento a palavra rendição foi pronunciada. O imperador afirmou que a situação de guerra havia evoluído não necessariamente em vantagem do Japão e citou o uso pelo inimigo de uma nova e cruel arma — referência às bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima em 6 de agosto e Nagasaki em 9 de agosto. A entrada da União Soviética no conflito contra o Japão, também em 9 de agosto, havia eliminado a última esperança japonesa de uma paz negociada por intermediação.

A decisão não foi pacífica dentro do próprio governo. Na noite anterior à transmissão, oficiais do exército tentaram um golpe para impedir que a gravação fosse ao ar, chegando a invadir o palácio imperial em busca dos discos. A tentativa fracassou e o disco foi contrabandeado para fora do complexo. A capitulação formal só aconteceria em 2 de setembro de 1945, a bordo do encouraçado USS Missouri, na Baía de Tóquio, com a assinatura do instrumento de rendição — o ponto final oficial de um conflito que durara seis anos e deixara dezenas de milhões de mortos.

O eco do 14 de agosto chegou também ao Brasil, onde a colônia japonesa vivia sob censura e isolamento desde o rompimento de relações diplomáticas em 1942. Sem acesso a informação confiável, parte dos imigrantes se recusou a acreditar na derrota, dando origem ao episódio conhecido como o dos corações sujos — uma cisão violenta entre os que aceitavam o fim da guerra e os que insistiam na vitória japonesa, e que resultou em atentados e mortes em São Paulo nos anos seguintes. Oito décadas depois, a data segue sendo lembrada em dois registros distintos: o do alívio coletivo e o do custo humano que o antecedeu.

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