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JBS inaugura fábrica na Arábia Saudita e anuncia expansão para dobrar capacidade até dezembro

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A JBS inaugurou nesta quinta-feira, 22, uma fábrica de alimentos processados em Jeddah, na Arábia Saudita, e anunciou uma expansão que dobrará a capacidade da unidade até o fim de 2026. O movimento aprofunda a estratégia da companhia de ampliar a presença produtiva local em um mercado que historicamente foi um dos principais destinos do frango brasileiro, mas que avança de forma consistente em políticas de autossuficiência.

O investimento total da JBS no país soma US$ 85 milhões e inclui, além da planta de Jeddah, uma unidade em Dammam e infraestrutura de distribuição. Com a nova operação, a companhia estrutura um ecossistema produtivo no país sob a marca Seara, com foco no abastecimento do mercado saudita e em exportações regionais de produtos halal.

Segundo o CEO da Seara, João Campos, a decisão de expandir a fábrica decorreu da rápida absorção da produção pelo mercado local. "Quando ela veio, ela quadruplicou o nosso volume na Arábia Saudita e agora estamos duplicando o volume dessa planta pela aceitação da marca Seara no mercado local", afirmou ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Antes da entrada em operação da unidade de Jeddah, a JBS operava com uma planta de processamento em Dammam, com cerca de 250 funcionários e capacidade anual de 10 mil toneladas.

A fábrica, que começou a operar em 2025, elevou a escala local da companhia e gera 500 empregos diretos, levando o quadro total da JBS na Arábia Saudita para cerca de 950 colaboradores. Questionado sobre a capacidade atual da planta de Jeddah e os volumes previstos após a expansão, o executivo afirmou que a companhia não divulga esses dados.

A presença produtiva no país representa uma inflexão na estratégia da companhia para o Oriente Médio. A JBS atua há mais de 30 anos na Arábia Saudita com exportações de aves a partir do Brasil, mas iniciou a construção da marca Seara no mercado local há cerca de quatro anos, com produtos processados, distribuição própria e investimentos em comunicação. "É exatamente a fórmula que a gente tem no Brasil de produto de alta qualidade, liderança em inovação e um engajamento de comunicação muito forte com o consumidor local", disse Campos.

Atualmente, a planta de Jeddah produz empanados e cortes de frango e já exporta para sete países da região, como Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos. Segundo o executivo, o foco segue sendo o mercado saudita, mas a operação cria uma base para ampliar exportações a outros destinos com demanda por produtos halal. "O mercado é complementar. Ele complementa o que a gente já tem investido e desenvolvido na Seara, não só no Brasil, como em outros mercados", afirmou.

O anúncio ocorre em um contexto de mudança estrutural no mercado de aves do Oriente Médio. Nos últimos anos, a Arábia Saudita acelerou investimentos para elevar sua autossuficiência em frango, reduzindo gradualmente a dependência de importações. Entre 2013 e 2024, a participação da produção doméstica no consumo local passou de 38% para 68%, com expectativa de superar 80% nos próximos anos, segundo o Bradesco BBI.

Esse movimento já vinha sendo citado pela própria JBS como fator de pressão sobre as exportações brasileiras. No terceiro trimestre de 2025, o CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni, afirmou que o avanço da produção local vinha afetando o desempenho regional. "Era um mercado muito forte para o Brasil, mas agora competimos com a produção local. Isso afeta todo o setor", disse o executivo em teleconferência de resultados à época.

Nesse contexto, a estratégia da JBS na Arábia Saudita busca menos substituir o Brasil como base produtiva e mais preservar relevância comercial em um mercado considerado estratégico. "Na visão 2030 da segurança alimentar, parte da produção vai ser feita aqui e nós queremos participar dessa produção", afirmou Campos em referência ao programa Visão Saudita 2030, que orienta a política industrial e agrícola do país.

Além da expansão industrial, a companhia anunciou uma parceria com a Arabian Company for Agricultural and Industrial Investment (ENTAJ) para a produção local de frango in natura com a marca Seara. A iniciativa permitirá ampliar o portfólio oferecido ao varejo e ao food service saudita. "Eles começam a produzir nos próximos meses e nós vamos conseguir oferecer o portfólio completo da marca Seara no mercado local", disse o executivo.

Questionado sobre a possibilidade de aquisições na região, Campos indicou que, no momento, o foco segue no crescimento orgânico. O posicionamento ocorre após especulações de mercado no ano anterior; em março de 2025, a Bloomberg noticiou que a JBS avaliou a compra da Al Watania, maior produtora de frango e ovos da Arábia Saudita, em uma transação que poderia chegar a US$ 530 milhões, mas o negócio não avançou. "Nosso foco é o longo prazo na Arábia Saudita. A gente já está avaliando outros investimentos para continuar apoiando o crescimento da marca e da nossa operação", afirmou.

Do ponto de vista estratégico, o executivo afirmou que a expansão está alinhada à lógica mais ampla da companhia de diversificação geográfica e construção de marcas com maior valor agregado. "Dentro da política da JBS, a gente está em múltiplas proteínas e múltiplas geografias. É importante participar de mercados que estão crescendo, poder criar marca, criar valor agregado e participar desse crescimento", disse.

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