Uma das figuras mais importantes da agenda ambiental global encerrou seu ciclo no governo brasileiro. Marina Silva deixou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima no dia 1º de abril de 2026, após 39 meses à frente da pasta — sua terceira passagem pelo cargo. A saída foi motivada pela desincompatibilização eleitoral: ela deve disputar uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de outubro, provavelmente na chapa ao lado de Fernando Haddad. Lula já sinalizou que deseja tê-la como candidata ao lado de Simone Tebet para fortalecer o palanque governista no estado.
O legado ambiental:
No discurso de despedida de mais de 50 minutos, Marina apresentou um balanço robusto. O número mais emblemático: a queda de 50% no desmatamento da Amazônia em 2025 em comparação a 2022, além de uma redução de 32,3% no Cerrado. Só essas quedas evitaram a emissão de 733,9 milhões de toneladas de CO₂ equivalente na atmosfera. Os alertas de desmatamento na Amazônia também caíram 35% no ciclo entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, e a degradação florestal recuou surpreendentes 93% no mesmo período.
A meta declarada é ousada: zerar o desmatamento no Brasil até 2030. E há sinais concretos de que o país está no caminho. "Há uma expectativa de chegarmos em 2026 à menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia, se continuarmos com esses esforços", afirmou Marina em seu último discurso como ministra.
A reconstrução institucional:
Quando Marina chegou em janeiro de 2023, encontrou o ministério fragilizado após o governo anterior. Em três anos, foram incorporados 1.557 novos servidores a órgãos como o Ibama, o ICMBio e o Jardim Botânico. O orçamento praticamente dobrou, passando de R$ 865 milhões em 2022 para R$ 1,9 bilhão. As ações de fiscalização do Ibama na Amazônia cresceram 80%, e as do ICMBio, 24%. As áreas embargadas aumentaram 51% pelo Ibama e 44% pelo ICMBio. Além disso, a mineração ilegal foi reduzida à metade. No total, R$ 179 bilhões foram mobilizados para ações climáticas durante a gestão.
Quem assume:
O novo ministro é João Paulo Ribeiro Capobianco, biólogo e ambientalista que era o secretário-executivo — o "número 2" — da pasta. Ele é aliado histórico de Marina e já ocupou o mesmo posto durante sua primeira gestão, entre 2003 e 2008. O perfil técnico de Capobianco sinaliza continuidade nas políticas ambientais.
O desafio que ficou:
Nem tudo foi avanço. O Pantanal registrou alta de 45,5% nos alertas de desmatamento no período recente. E o novo Licenciamento Ambiental aprovado pelo Congresso no ano passado — considerado um retrocesso por ambientalistas — foi uma derrota política para a gestão. A COP30, realizada em Belém, foi um palco de sucesso diplomático, mas encerrou sem um roteiro claro para o abandono dos combustíveis fósseis, frustrando parte da comunidade científica.
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