Harry Massis Jr. barrou a ideia de renúncia à presidência do São Paulo em reunião do Conselho Consultivo, ocorrida nesta sexta-feira no escritório do advogado Ives Gandra, integrante do colegiado. O encontro foi convocado após uma denúncia contra a filha, acusada de venda irregular de ingressos cortesia no MorumBis. Ela nega. O clube irá reformular a política de distribuição de entradas, com redução dos tíquetes disponíveis.
O caso será investigado por duas sindicâncias, uma externa e outra interna. Se for constatada irregularidade, o assunto vira pauta da Comissão de Ética do São Paulo.
O Conselho Consultivo, composto por ex-presidentes e ex-presidentes do Conselho Deliberativo, se reuniu nesta sexta-feira para debater uma denúncia que envolve a filha de Massis. Uma ala do grupo defendia que Massis renunciasse. A ideia não avançou. O atual mandatário são-paulino esteve presente no encontro.
Cerca de 15 torcedores se reuniram em frente ao escritório em que ocorreu a reunião e protestaram com faixas em frente ao prédio e gritos de ordem. "Não vai ter golpe", diziam. Tanto na chegada, quanto na saída, houve cobranças a Olten Ayres Jr., presidente do Conselho, e aos ex-presidentes Carlos Miguel Aidar e Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.
ENTENDA A DENÚNCIA
Chris Massis teria vendido ingressos ilegalmente em outubro de 2024, para o show de Bruno Mars, no MorumBis. Ela nega e diz que se trata de uma armação para atingir a gestão de Massis. Uma gravação atribuída a ela foi apresentada ao Consultivo.
No áudio, Chris fala que não ofereceu vendeu entradas, que até recebeu um valor, mas o repassou "para uma pessoa a qual ela ajuda".
Em nota, Massis falou não compactuar com o ato. Ele abriu uma investigação interna para apurar o caso no São Paulo. "Não tenho compromisso com erro ou malfeito de nenhuma ordem. Pouco importa se a pessoa em questão tem meu sangue ou não", escreveu.
"Reafirmo que só soube do caso há poucos dias e que fui também chantageado para que o caso não viesse à tona. Mas aparentemente não me conhecem. Aqui tem um homem íntegro, que tem como único intuito passar o São Paulo Futebol Clube a limpo, custe o que custar e doa a quem doer", completou.
No começo da gestão, Massis tirou a filha da diretoria adjunta das categorias de base do futebol feminino sob a justificativa de evitar conflitos de interesse na gestão do clube.
O áudio chegou de forma anônima até Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo. Caso Massis renuncie, Olten assume por 30 dias e é obrigado a convocar nova eleição.
O pleito definiria o presidente até o fim do ano, quando ocorre a eleição regular para o próximo triênio. O presidente do Conselho nega que tenha interesse em concorrer em qualquer um dos pleitos. "Não está nos meus planos", disse ao Estadão. Nos bastidores, porém, ele não descarta a possibilidade de se tornar candidato.
Do outro lado, Massis já deixou claro que não pretende concorrer. Entretanto, ele tem aliados que pensam em se lançar como possíveis candidatos, em contraponto à antiga oposição de Casares na disputa. Marcelo Pupo, ex-presidente do Conselho Deliberativo, atua como consultores do presidente e seria um nome com perspectiva de candidatura.
A antiga oposição, que transita entre elogios e críticas a Massis, tem dois nomes cotados. Um deles é Vinicius Pinotti, ex-diretor de marketing e de futebol e consultor de Casares até o fim do ano passado.
Outro é José Carlos Ferreira Alves. Ele é desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e já foi vice-presidente, diretor de futebol, trabalhou no departamento jurídico e também foi presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo.
0 Comentário(s)