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Mato Grosso suspende autorização para santuário receber novos elefantes; entenda

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A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) suspendeu de forma preventiva a autorização do Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado na Chapada dos Guimarães, de receber novos animais até o esclarecimento da morte de duas elefantas no final de 2025, menos de um ano após chegarem ao local, depois de terem sido resgatadas de cativeiros na Argentina.

O Santuário de Elefantes Brasil confirmou a suspensão e disse em nota que recebeu a decisão "com serenidade e responsabilidade institucional" e explicou que a medida impede apenas a chegada de novos animais, e que atividades consideradas essenciais seguem sendo realizadas, como cuidado, manejo, alimentação, acompanhamento veterinário e bem-estar dos elefantes que vivem no SEB.

Em nota, a Sema informou que o empreendimento possui licença e autorização vigentes e que a medida de suspensão deve se estender "até a obtenção e análise das informações acerca do cumprimento dos protocolos de biossegurança e dos padrões éticos de manejo".

"Atuamos há mais de uma década sob fiscalização contínua dos órgãos ambientais, sem nunca termos sofrido qualquer sanção ou apontamento relevante", acrescentou o Santuário de Elefantes, que afirma também já estar em contato com o governo mato-grossense para regularizar a situação (veja mais abaixo).

Morte de duas elefantas

As elefantas Pupy e Kenya morreram no final do ano passado após complicações de saúde. Elas foram resgatadas após passarem anos vivendo em cativeiro, na Argentina, e chegaram ao Santuário de Elefantes Brasil em 2025.

A primeira a chegar foi Pupy, em abril. Ela foi transferida para o santuário após viver por mais de 30 anos no Ecoparque de Buenos Aires, desativado recentemente. Ela morreu em outubro, com idade estimada em cerca de 35 anos, segundo o SEB.

O santuário descreveu a morte do animal como "repentina", após um período de desconfortos gastrointestinais. "O tempo de Pupy no santuário foi breve, mas profundamente significativo. Ela explorou, mudou e se permitiu confiar. Foi vista, amada - e nunca esteve sozinha", informou a instituição.

Já Kenya, oriunda do Ecoparque de Mendoza, na Argentina, próximo à fronteira com o Chile, chegou ao santuário brasileiro em julho. Mais velha, com idade estimada em mais de 44 anos, passou a exercer, segundo o SEB, o papel de "irmã mais velha" de Pupy. A morte dela foi anunciada no dia 16 de dezembro.

"Após vários dias sem demonstrar sinais de que estava se deitando, Kenya finalmente se deitou na noite passada (em referência a 15 de dezembro). Ela pareceu se acomodar, e sua respiração ficou mais fácil. Durante toda a noite, não se mexeu - nem mesmo movimentou as patas; estava claramente muito cansada", descreveu o santuário.

Segundo o santuário, antes de ser resgatada e ser enviada ao Brasil, Kenya conviveu por décadas com diarreia crônica, além de ter recebido alimentação inadequada, sofrido infecções crônicas nos dentes (presas) e vivido sem cuidados médicos apropriados. "Essa era a realidade dela antes do santuário", diz a instituição.

No comunicado, o SEB afastou a possibilidade de que Kenya tenha transmitido tuberculose a Pupy ou de que a contaminação tenha ocorrido por contato entre espécies de habitats diferentes, conforme cogitado por seguidores do SEB nas redes sociais.

Na ocasião, o Ibama, que chegou a informar que faria uma visita técnica ao local, disse que não era possível afirmar se as elefantas que morreram foram vítimas recentes de maus-tratos ou de manejo inadequado. O órgão foi questionado pela reportagem sobre a visita que seria feita, mas não deu retornos à reportagem até a publicação do texto. O espaço segue aberto.

Suspensão do funcionamento

A notificação da Sema para suspender o funcionamento do SEB foi expedida no dia 23 de dezembro. A medida possui caráter preventivo e o Santuário de Elefantes Brasil terá um prazo de 60 contados a partir do último 23 para apresentar as informações e documentos solicitados pelo órgão ambiental.

A Sema-MT informou que o empreendimento possui licença e autorizações ambientais vigentes, mas que a suspensão permanecerá válida até a obtenção e análise das informações solicitadas pelo órgão ambiental.

O Santuário de Elefantes Brasil informou, em nota enviada à reportagem, que a suspensão afeta apenas o recebimento de novos animais e é válida até a análise de informações complementares solicitadas ao SEB.

"É importante esclarecer que o Santuário possui licença ambiental e autorização de funcionamento plenamente vigentes, conforme reconhecido pela própria Sema", afirma o órgão, que acrescenta: "Todas as demais atividades essenciais seguem normalmente, incluindo o cuidado, manejo, alimentação, acompanhamento veterinário e bem-estar dos elefantes atualmente sob nossa responsabilidade".

O Santuário diz que os protocolos de biossegurança, manejo e ética adotados pela entidade são adotados com autorização técnica da própria Sema, e afirma que está prestando os esclarecimentos necessários à pasta.

"Ressaltamos que praticamente toda a documentação requerida já havia sido entregue anteriormente, dentro do histórico regular de fiscalização do Santuário. Não temos qualquer receio em relação à análise técnica, pois prezamos pela transparência absoluta", acrescenta.

Criadouro científico

O Santuário de Elefantes Brasil foi criado para acolher elefantes resgatados de situações de cativeiro e exploração. Conforme o Ibama, o SEB é classificado como um criadouro científico de fauna.

O mesmo órgão destaca que a maior parte dos animais já encaminhados ao santuário foi direcionada ao local "com o objetivo de garantir melhor qualidade de vida e manejo adequado". "Muitos são provenientes de antigos circos ou de outros países. Sabe-se que boa parte desses elefantes é idosa, apresenta comorbidades e possui histórico delicado", disse o instituto após a morte das elefantas.

Além de Pupy e Kenya, outras duas elefantas também morreram pouco tempo após começarem a viver no santuário. Foram os casos de Pocha, resgatada em maio de 2022 e que morreu cinco meses depois, em outubro, aos 57 anos; e de Ramba, que chegou ao SEB em outubro de 2019 e morreu em 26 de dezembro do mesmo ano, por volta dos 65 anos.

Atualmente, cinco elefantes vivem no SEB: Maia, Rana, Mara, Bambi e Guillermina - todas fêmeas. Esta última chegou ao local em 2022, junto com a mãe, Pocha. Os demais animais vivem no santuário há, pelo menos, cinco anos.

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