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Diário de Notícias

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Médica Angelita Gama é velada na Faculdade de Medicina da USP, onde foi pioneira

A médica e pesquisadora Angelita Habr-Gama, referência mundial em coloproctologia, foi velada na tarde deste domingo, 31, no teatro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital paulista.

Uma das médicas mais premiadas do País, Angelita morreu no sábado, 30, aos 92 anos. Ela estava internada desde 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

"A professora Angelita é um ícone e uma personalidade das mais importantes para a Universidade de São Paulo", disse o reitor da USP, Aluísio Segurado, que foi aluno da professora na área de cirurgia do aparelho digestivo.

Como outros amigos, Segurado ressaltou o pioneirismo da médica como a primeira mulher a se tornar professora titular de uma especialidade cirúrgica - no caso, na área de coloproctologia - da Faculdade de Medicina da USP.

"É uma liderança que soube, como ninguém, conciliar o rigor científico, a competência técnica na área de cirurgia e o humanismo com que sempre tratou e cuidou de seus pacientes", disse. "É uma fonte eterna de inspiração."

Professora emérita da Faculdade de Medicina da USP, Angelita foi celebrada, para além dos seus feitos na área médica, pela gentileza que preservava com quem quer que fosse.

"Era muito alegre, entusiasmada - transmitindo energia -, humilde e sempre respeitosa", disse José Marcelo de Oliveira, diretor presidente do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. "É um exemplo de liderança feminina. Numa fase que ninguém conseguia nem verbalizar essa necessidade, ela estava lá mostrando os caminhos", acrescentou.

O otimismo, diz ele, também era uma das marcas da médica. "A grande frase dele era 'no final vai dar tudo certo'."

A morte da médica Angelita Habr-Gama gerou manifestações de pesar de entidades médicas, instituições e autoridades, que destacaram o legado da pesquisadora e sua contribuição para a medicina brasileira e mundial, especialmente na área da coloproctologia, especialidade dedicada ao estudo e tratamento de doenças do intestino, cólon e reto.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lamentou a morte da médica e destacou sua relevância para a ciência. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que Angelita foi "uma perda para a Medicina mundial" e classificou a pesquisadora como "uma grande mulher" e "referência para a medicina e a ciência".

Ao longo dos anos, Angelita acumulou uma série de conquistas na carreira: além de tornar-se professora emérita da FMUSP, destacou-se como membro de várias sociedades médicas e detentora de dezenas de prêmios nacionais e internacionais na pesquisa de tratamento do câncer colorretal.

A Sociedade Brasileira de Coloproctologia destacou o papel da médica como referência na especialidade e sua trajetória de liderança. Para a entidade, Angelita será lembrada como "líder inconteste, professora por excelência, pesquisadora incansável e cientista brilhante", com reconhecimento no Brasil e no exterior.

Em 2022, Angelita foi reconhecida pela Universidade de Stanford como uma das médicas que mais contribuíram para o desenvolvimento da Ciência no mundo. "É um estímulo para progressão na carreira de outras pesquisadoras", disse, na época, ao Estadão.

No ano seguinte, a médica alcançou outro feito inédito: foi a primeira mulher no mundo a receber a medalha Bigelow, reconhecimento criado pela renomada Sociedade de Cirurgia de Boston, dos Estados Unidos, para laurear cirurgiões com destacada contribuição para o progresso científico e ensino da cirurgia.

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