Aliados da OTAN e autoridades de defesa expressaram perplexidade nesta sexta-feira, 22, com a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de enviar 5 mil soldados americanos para a Polônia apenas algumas semanas depois de ordenar a retirada de militares da Europa.
"É realmente confuso e nem sempre é fácil de entender", disse a ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergard. Os ministros das Relações Exteriores da aliança se reuniram na cidade sueca de Helsingborg. Autoridades de defesa americanas também estavam perplexas. "Passamos quase duas semanas reagindo ao primeiro anúncio. Também não sabemos o que isso significa", disse uma das duas autoridades que falaram sob condição de anonimato.
Em uma publicação no Truth Social, Trump disse: "Tenho o prazer de anunciar que os Estados Unidos enviarão mais 5.000 soldados para a Polônia." Ele afirmou ainda que isso se devia aos seus fortes laços com o presidente do país, Karol Nawrocki, a quem apoiou nas eleições do ano passado.
A aparente mudança de postura ocorreu após semanas de declarações contraditórias de Trump e sua administração sobre a redução - e não o aumento - da presença militar dos EUA na Europa. Os membros da aliança ficaram surpresos, apesar da promessa dos EUA de coordenar o envio de tropas. "Manteremos estreita coordenação com nossos aliados daqui para frente", prometeu na quarta-feira o chefe militar da OTAN, o tenente-general americano Alex Grynkewich.
Os ministros da Holanda e da Noruega mantiveram a calma diante da última medida de Trump, mas enfatizaram que essas questões devem ser tratadas de forma "estruturada". O ministro das Relações Exteriores da Letônia, Baiba Brae, indicou que os aliados sabiam que "a posição (sobre as tropas) estava sendo reconsiderada, e agora não há mudança de posição. Por enquanto. Veremos".
As medidas contraditórias de Trump
No início deste mês, a Casa Branca anunciou que reduziria sua presença militar na Europa em cerca de 5.000 soldados, e autoridades americanas confirmaram que cerca de 4.000 soldados não seriam mais enviados para a Polônia. O envio de pessoal treinado para disparar mísseis de longo alcance para a Alemanha também foi suspenso.
Segundo Grynkewich, "centenas" de outros soldados seriam transferidos para outras localidades, mas ele não ofereceu mais detalhes. O comandante da maior aliança militar do mundo observou que se reuniu com os ministros da Defesa da Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia na sede da OTAN para discutir opções.
Tudo começou quando Trump se irritou com os comentários do chanceler alemão Friedrich Merz, que disse que a liderança iraniana estava "humilhando" os Estados Unidos e criticou o que chamou de falta de estratégia na guerra. Em seguida, Trump disse a repórteres que os Estados Unidos "cortariam muito mais do que 5.000". Ele também anunciou novas tarifas sobre carros europeus. A Alemanha é a maior produtora de veículos do continente.
Os Estados Unidos têm cerca de 80.000 soldados estacionados na Europa. O Pentágono é obrigado a manter pelo menos 76.000 soldados e equipamentos pesados ??estacionados na Europa, a menos que os aliados da OTAN sejam consultados e se determine que tal retirada seja do melhor interesse de Washington. A retirada de 5.000 soldados poderia reduzir esse número para menos do que o limite estabelecido.
A última publicação de Trump sugere que o número de tropas na Europa pode não mudar. É provável que as forças que já estão sendo rotacionadas da Alemanha para a Polônia continuem a fazê-lo. O Ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radek Sikorski, saudou a decisão, afirmando que ela garante que "a presença de tropas americanas na Polônia permanecerá mais ou menos nos níveis anteriores".
O Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, também saudou a medida. Na quinta-feira, antes da publicação de Trump no Truth Social, Rutte havia enfatizado a importância de a Europa assumir a responsabilidade por sua própria segurança. "Temos um processo estabelecido. Isso é uma questão normal", disse ele a jornalistas.
A reunião da OTAN de sexta-feira em Helsingborg, na Suécia, teve como objetivo preparar o terreno para a cúpula entre Trump e seus homólogos na Turquia, em julho. (Com agências internacionais)
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