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Mendonça volta a autorizar ida de Vorcaro ao Senado para depor, mas comparecimento é opcional

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seja apresentado à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para prestar depoimento no dia 10 de março, às 11h. O despacho foi assinado na quinta-feira, 26, e publicado na sexta-feira, 27.

A autorização, no entanto, prevê que Vorcaro decida se deseja ou não comparecer à sessão. A decisão foi tomada no âmbito do inquérito sigiloso que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master e que tramita sob relatoria de Mendonça, após o ministro Dias Toffoli deixar o caso. O pedido para que o investigado fosse ouvido partiu da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL).

O Estadão não conseguiu contato com a defesa de Vorcaro para manifestação sobre a decisão.

No despacho, Mendonça destacou que requerimento semelhante já havia sido analisado anteriormente. Por isso, determinou a extensão dos efeitos da decisão proferida em 19 de fevereiro para que também se aplique à nova data de convocação. "Semelhante requerimento havia sido formulado em 13 de fevereiro de 2026 para o comparecimento do mesmo investigado na acima referida Comissão em 24 de fevereiro de 2026. O pedido anterior fora apreciado nestes autos por decisão de 19 de fevereiro do corrente ano", escreveu.

O ministro também reiterou que caberá à Polícia Federal fixar as condições logísticas do transporte e do retorno de Vorcaro ao local de custódia, com escolta policial contínua. O deslocamento poderá ocorrer em aeronave da própria corporação ou em voo comercial regular, ficando expressamente proibido o uso de aeronave particular. A decisão ainda assegura ao investigado o direito de ser acompanhado por advogado durante o translado e no momento da oitiva na comissão.

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) em novembro do ano passado, em operação que apura suspeitas de crimes relacionados à venda do banco ao Banco de Brasília (BRB). Na ocasião, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

Ele foi solto 11 dias depois, após obter habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A decisão judicial impôs medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento periódico em juízo, proibição de manter contato com outros investigados, impedimento de se ausentar da comarca, recolhimento domiciliar no período noturno, proibição de exercer atividade financeira e entrega do passaporte, que já havia sido retido pela PF.

Mendonça assume a relatoria

O STF sorteou, no dia 12 deste mês, Mendonça para relatar as investigações sobre o Banco Master, após Toffoli abdicar da função. Um dia antes, a PF havia encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, relatório com citações a Toffoli no âmbito das apurações. Em reunião reservada com os demais ministros, Toffoli optou por deixar a relatoria.

Como mostrou o Estadão, Toffoli é sócio da empresa Maridt, dirigida por seus dois irmãos, que tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A companhia vendeu sua fatia no empreendimento a fundos de investimento que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, apontado como cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

O ministro confirmou que é sócio e que recebeu dividendos de empresa que realizou negócios com fundo ligado ao banqueiro, mas afirmou não ter relação de amizade com Vorcaro e declarou que jamais recebeu qualquer valor pago diretamente por ele.

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