A articulação para reduzir a jornada de trabalho e acabar com a escala 6x1 mal avançou na Câmara dos Deputados e já provocou uma forte reação do setor empresarial. Em menos de 24 horas após a aceleração da proposta, lideranças da indústria, do comércio e de outros segmentos econômicos correram ao gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em uma tentativa de barrar ou pelo menos adiar a tramitação do texto na Casa.
O encontro reuniu cerca de 30 representantes do setor produtivo, incluindo nomes como Paulo Skaf, da Fiesp, e Ricardo Alban, da CNI. A principal preocupação apresentada ao presidente do Senado foi a rapidez com que a proposta vem avançando no Congresso, especialmente após o acordo político entre o governo e a presidência da Câmara para acelerar a votação da PEC.
Nos bastidores, empresários classificam o debate como uma pauta impulsionada pelo calendário eleitoral e defendem que qualquer mudança na jornada de trabalho seja discutida apenas após as eleições. O grupo argumenta que a redução da carga semanal de 44 para 40 horas poderia gerar impactos significativos em setores que dependem de escalas contínuas de funcionamento, além de pressionar custos operacionais e preços ao consumidor.
A movimentação evidencia o peso político que a proposta ganhou nas últimas semanas. Enquanto o governo tenta transformar o fim da escala 6x1 em uma das principais bandeiras trabalhistas do ano, o empresariado busca construir uma resistência no Senado, considerado por muitos o principal obstáculo para a aprovação definitiva da medida.
Apesar da pressão, Alcolumbre evitou assumir compromissos públicos sobre o calendário de votação. Segundo relatos de participantes da reunião, o presidente do Senado ouviu os argumentos do setor produtivo, reconheceu a complexidade do tema, mas não garantiu que a proposta será adiada.
A disputa promete se intensificar nos próximos dias. De um lado, trabalhadores e movimentos sindicais defendem a mudança como uma atualização necessária das relações de trabalho. Do outro, empresários tentam convencer o Senado de que uma alteração dessa magnitude pode trazer efeitos econômicos que ainda não foram devidamente calculados. O resultado desse embate pode definir um dos debates mais relevantes da agenda trabalhista brasileira nos últimos anos
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