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A valorização firme de alguns metais no exterior é insuficiente para estimular o Ibovespa no início da sessão desta segunda-feira, 12. A queda sólida dos índices de ações internacionais nesta manhã e do petróleo impõe cautela. Investidores digerem a intimação da Justiça dos Estados Unidos contra o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, em semana de agenda pesada, que terá divulgações como o índice CPI dos EUA e início da temporada de balanços norte-americana do quarto trimestre.
A agenda no Brasil também pode influenciar os ativos, com dados de atividade no radar, como o IBC-Br de novembro. Além disso, o mercado digere a avaliação de auditores do Tribunal de Contas da União (TCU), que constatou que o Banco Central agiu corretamente em todos os passos que levaram à liquidação do Master, decretada no dia 18 de novembro. Hoje, integrantes do BC vão se reunir com o TCU para discutir o caso do Master.
"Por aqui, os ruídos envolvendo o caso Master seguem monitorados, mas com avanços na margem mais favoráveis à decisão técnica do BC de liquidar a instituição", diz em nota Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria.
Após abrir na máxima aos 163.370,31 pontos, com variação zero, o Ibovespa foi para o campo negativo e opera perto da mínima. Segundo Alison Correia, analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos, há dois pontos críticos que envolvem os Estados Unidos e que afetam os mercados hoje.
Correia refere-se aos protestos no Irã contra o governo, que tem o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump. Essas tensões geopolíticas seguem no radar, com o Irã elevando o tom contra os EUA e Israel em meio à escalada de protestos nacionais, que já deixaram mais de 500 pessoas mortas.
A segunda questão, acrescenta Correia em nota, é em relação a Powell, que foi acusado de desvio pela Justiça americana por um depoimento que ele concedeu em junho à Câmara norte-americana. "A sessão promete ser volátil, em meio à agenda fraca", que ganhará força ao longo dos próximos dias, completa.
Na sexta-feira, o Fed recebeu uma intimação do grande júri do Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês) dos Estados Unidos com a ameaça de uma acusação criminal contra Powell. A ação seria parte de uma campanha contínua do governo Donald Trump contra sua gestão, disse o presidente do Fed, que não tem cedido às pressões por cortes mais intensos de juros. O caso reacende o temor de perda de autonomia do banco central dos EUA.
Segundo Pedro Paulo Silveira, economista da A3S Investimentos, de pouco em pouco, Trump tem avançado e estendido os limites de seu poder. "E tem tido sucesso", diz, acrescentando que essa orquestração pode ser perigosa, devido ao risco de tornar as instituições mais vulneráveis e com possibilidade de redução da credibilidade dos EUA perante os mercados.
Aqui, o mercado segue repercutindo o histórico acordo entre Mercosul e União Europeia, fechado na sexta-feira, com efeito positivo em alguns papéis de empresas do agronegócio.
Ao longo da semana, o destaque da agenda brasileira é a divulgação das vendas no varejo, do volume de serviços prestados e do IBC-Br, ambos de novembro. Hoje saiu o boletim Focus informado pelo BC, que não trouxe grandes alterações. A mediana das expectativa do mercado para a inflação em 2026 passou de 4,06% para 4,05%, abaixo do teto da meta (4,5%). A previsão para a taxa de juros, a Selic, para o final deste ano, seguiu em 12,25%
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,27%, aos 163.370,31 pontos.
Às 11h03, caía 0,57%, na mínima aos 162.439,30 pontos, na mínima. Vale subia 0,29%, após avanço de 0,92% do minério de ferro em Dalian. Petrobras apresentava variação negativa entre 0,23% (PN) e 0,06% (ON), em meio ao recuo de 0,44% do petróleo Brent. Papéis de grandes bancos são destaques de maior queda, com declínio de até 1,32% (Bradesco ON).
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