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Diário de Notícias

DN.

'Não queremos uma nova Guerra Fria', diz Lula em recado a Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo que quer dizer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Brasil não quer uma nova Guerra Fria. "Quero dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova Guerra Fria. Não queremos ter preferência por nenhum país. Nós queremos ter relações iguais com todos os países", disse Lula em coletiva de imprensa em Nova Déli, ao encerrar missão pela Índia. "Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário. Se isso for possível, eu acho que tudo voltará à normalidade. E é isso que espero", afirmou Lula.

O presidente comentou que não sabe qual será a pauta de Trump na reunião presencial entre os dois líderes, prevista para março, mas quer garantir que os países voltaram a ter "uma relação altamente civilizada, altamente respeitosa". "A minha pauta com o Trump é uma pauta longa. Uma pauta que, da minha parte, vou discutir comércio, parcerias universitárias, a população brasileira que mora nos EUA. Quero discutir sobre tudo, qualquer assunto, inclusive investimento americano no Brasil, que faz tempo que deixou de existir", acrescentou Lula. "Eu disse por telefone ao presidente Trump: é preciso pegar um na mão do outro, olhar um nos olhos do outro para ver o que a gente quer entre Brasil e Estados Unidos".

Lula afirmou ainda que não "tem veto" e nem tema proibido na mesa de negociação entre os países. "Vamos colocar todos os temas na mesa de negociação", acrescentou. O presidente citou entre os temas combate a crime organizado e parceria para exploração de minerais críticos. "Desde que o processo de transformação aconteça no Brasil, vamos conversar. Não vamos permitir mais que nossos minerais críticos e terras raras sejam explorados como foi o minério de ferro durante tantos anos", ponderou Lula, mencionando a criação do Conselho Nacional de Política Mineral, vinculado à Presidência da República.

Sobre o combate ao crime organizado e ao narcotráfico, Lula afirmou que levará a Polícia Federal e a Receita Federal na viagem para a conversa com Trump. "Se o governo americano estiver disposto a combater o narcotráfico, o crime organizado, nós estaremos dispostos na linha de frente para acabar de uma vez por todas, inclusive reivindicando deles mandar para nós os bandidos que estão lá", disse.

Tarifas

O presidente brasileiro também disse neste domingo que não pode julgar a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas impostas pelo governo Donald Trump. "Uma parte das coisas já havia sido mudada pelo próprio governo americano e agora tivemos a decisão da própria justiça americana que tomou outra decisão contrariando aquilo que era a tese do presidente Trump. Obviamente, não posso julgar a decisão da Suprema Corte de outro país. Não julgo a do meu, não vou julgar de outro país", disse Lula em coletiva de imprensa em Nova Déli, ao encerrar a missão pela Índia. "Não tem como um presidente de outro país julgar a decisão da Suprema Corte", acrescentou.

Embora tenha ponderado que não irá "medir" a decisão da Suprema Corte americana, Lula afirmou que certamente "alguém" recorreu à Suprema Corte, que Trump já tomou novas medidas e que caso alguém recorra terá nova decisão. "Da nossa parte, achamos que houve um alívio para muitos países que estavam taxados em 50% e 40%. Agora para todo mundo vai ser 15%", destacou.

Lula citou ainda que o Brasil foi surpreendido pela taxação dos Estados Unidos de forma "totalmente anômala" e citou ser "impensável" determinações de taxações pelo Twitter. "Tomamos decisões com muita cautela. Não tomo decisão quando estou com 39º de febre. Acho que tomamos a decisão correta", afirmou sobre a postura do Brasil na negociação.

O presidente afirmou que quer conversar com Trump sobre a relação entre os dois países, sendo as duas maiores democracias da América. "Não podemos ficar brincando de fazer democracia. Temos que tratar com muita seriedade", destacou em referência à reunião presencial prevista entre os dois líderes.

Carnaval

Lula disse "não ser carnavalesco", ao ser questionado neste domingo sobre as críticas de setores evangélicos à ala do desfile da Escola Acadêmicos de Niterói que apresentou "famílias em conservas". O enredo da escola de samba neste ano homenageou o presidente.

"Eu não penso, porque primeiro eu não sou carnavalesco. Eu não fiz o samba enredo. Não cuidei dos carros alegóricos. Eu fui apenas homenageado em uma música maravilhosa", disse Lula, quando questionado sobre as críticas. O presidente participou de coletiva de imprensa em Nova Delhi, na Índia.

O presidente afirmou que o enredo foi uma homenagem à saga de sua mãe, Dona Lindu, e frisou que não cabia a ele dar palpites sobre o desfile, apenas aceitar ou não a homenagem. "Foi uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música. A música é, na verdade, uma homenagem à minha mãe. É a saga dela de trazer a gente para São Paulo."

Lula também disse que pretende visitar a escola para agradecer a homenagem.

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