No início de março, a Netflix anunciou a aquisição da InterPositive, empresa de inteligência artificial aplicada ao cinema fundada secretamente pelo ator e diretor Ben Affleck em 2022. O valor do negócio, segundo a Bloomberg, pode chegar a US$ 600 milhões, uma das maiores aquisições da história da plataforma.
O que poucos sabiam
A revelação causou surpresa no setor: praticamente ninguém na indústria sabia que Affleck tinha uma empresa de IA funcionando há anos nos bastidores. A InterPositive foi criada em sigilo, com apoio da firma de investimentos RedBird Capital Partners, e só veio à tona com a venda.
O que a tecnologia faz, e o que ela NÃO faz
O ponto central da proposta da InterPositive é que ela não gera imagens do zero, diferente de ferramentas como o Sora (OpenAI) ou o Veo (Google). A tecnologia atua na pós-produção, ajudando cineastas a corrigir iluminação, reconstruir planos incompletos, ajustar enquadramentos e integrar efeitos visuais tudo preservando a intenção artística do diretor.
O modelo foi treinado com dados visuais captados em um set fechado, e aprende a partir das filmagens diárias de cada produção. Segundo Affleck: "Não se trata de escrever um comando e criar um filme do nada. O filme precisa ser rodado primeiro."
O que muda para a Netflix
Com a aquisição, todos os 16 funcionários da InterPositive, engenheiros, pesquisadores e criativos, passam a integrar o quadro da Netflix. Affleck assume o papel de consultor sênior. A tecnologia será de uso exclusivo da plataforma e seus parceiros criativos, sem planos de ser licenciada para outros estúdios.
A polêmica
A notícia não passou sem críticas. O fato de Affleck ter fundado a empresa em segredo, numa época em que atores e roteiristas travavam greves históricas contra o avanço da IA em Hollywood, gerou reações nas redes sociais. A pergunta que circulou foi direta: "Por que Ben Affleck criou uma empresa de IA em segredo?"
Ironicamente, em entrevistas anteriores, o próprio Affleck havia dito que a IA não seria capaz de "escrever nada significativo" posição que ele mesmo recuou, afirmando agora ver a tecnologia como uma "inovação verdadeiramente relevante".
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