Ontem, 29 de abril, o governo federal publicou no Diário Oficial da União o Plano Nacional do Livro e Leitura 2026-2036. A partir de hoje, ele entra oficialmente em vigor. São dez anos de metas, diretrizes e ações integradas entre o Ministério da Cultura, o Ministério da Educação, estados, municípios e a sociedade civil, com um objetivo central: fazer o Brasil ler mais.
O plano prevê quatro grandes eixos de ação: reabertura e ampliação de bibliotecas públicas em todo o país, distribuição de livros para populações sem acesso, criação de uma biblioteca digital gratuita e ações concretas para aumentar o número de leitores. A ideia é tratar o livro não apenas como objeto cultural, mas como parte da economia criativa — e a leitura como exercício de cidadania.
O que torna esse plano urgente, porém, são os dados que ele tenta reverter. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o país tem hoje cerca de 93,4 milhões de leitores — definidos como pessoas que leram ao menos um livro nos últimos três meses. Esse número representa 47% da população. Em 2007, esse percentual era de 55%. Em menos de vinte anos, o Brasil perdeu oito pontos percentuais de leitores.
E há um detalhe que chama ainda mais atenção: quem mais gosta de ler no Brasil são as crianças entre 5 e 13 anos, com índice de apreço à leitura de 87%. Já a população acima de 50 anos registra apenas 57%. Ou seja, o hábito existe na infância — e vai sendo abandonado ao longo da vida, provavelmente quando a leitura deixa de ser prazerosa e vira obrigação escolar ou profissional.
O novo plano também toca em um problema que o Brasil raramente admite abertamente: o analfabetismo funcional. São milhões de pessoas que sabem tecnicamente ler e escrever, mas não conseguem interpretar um texto, entender uma bula de remédio ou compreender um contrato. O plano coloca a erradicação dessa condição como uma de suas diretrizes centrais.
Curiosamente, o ciclo anterior do Plano Nacional do Livro e Leitura durou de 2006 a 2016 — e depois ficou dez anos sem ser renovado. O Brasil ficou uma década inteira sem uma política nacional estruturada de incentivo à leitura. Este novo plano, que começa a valer hoje, chega para preencher exatamente esse vazio.
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