Um levantamento da Worldpanel by Numerator, consultoria global que analisa o comportamento de quase 6 bilhões de consumidores em mais de 50 países, mapeou o que está acontecendo com o consumo brasileiro em 2026 — e os números surpreendem.
O WhatsApp virou loja. Duas em cada cinco compras de abastecimento feitas online no Brasil hoje são realizadas via WhatsApp. O e-commerce de bens massivos cresce 13,8%, mas não é o site das grandes varejistas que lidera essa onda — é o aplicativo de mensagens que a maioria dos brasileiros usa para falar com a família. O consumidor descobriu que é mais fácil pedir pelo zap do que abrir outro app.
O brasileiro vai mais ao mercado, mas compra menos. A frequência de visitas ao ponto de venda cresceu 12,8%, mas o número de itens por compra caiu 10,4%. Ou seja, as pessoas estão indo com mais frequência às lojas, mas enchendo menos o carrinho. Especialistas dizem que isso reflete um consumidor mais cauteloso, que prefere comprar o necessário com mais frequência do que estocar de uma vez.
A saúde mental está guiando o consumo. Um dado chocante: as licenças médicas por ansiedade e depressão cresceram 68% entre 2023 e 2025 no Brasil. Esse número não é apenas um dado de saúde — ele está mudando o que as pessoas compram. Produtos que transmitem bem-estar, equilíbrio e cuidado se tornaram protagonistas. O consumidor não quer só um produto que funcione. Ele quer um produto que o faça se sentir bem.
Perfume virou item de primeira necessidade — e quem está puxando essa onda não é quem você imagina. O consumo de perfumes cresceu 15%, mas o destaque está em quem está comprando: são as classes D e E que estão impulsionando essa alta. Autocuidado deixou de ser luxo e virou hábito cotidiano. Os brasileiros usam, em média, seis categorias diferentes de higiene e beleza por semana.
Os pets tomaram o lugar dos filhos no orçamento familiar. Casais sem filhos respondem por 41% de todo o mercado de alimentos para animais no Brasil, com gasto médio 10% acima da média nacional. O fenômeno da "peternidade" — tratar o animal como membro da família — deixou de ser tendência e virou realidade de mercado.
A cerveja zero álcool está roubando o mercado da cerveja tradicional. A penetração das cervejas 0% álcool saltou de 10% para 15% dos lares brasileiros em dois anos. As bebidas proteicas foram ainda mais longe: passaram de 5% para 13% de penetração no mesmo período. O brasileiro quer socializar, mas quer fazer isso de forma que ele chame de "consciente".
E a Copa do Mundo já está movendo o mercado. A expectativa é de crescimento de 12% no tíquete médio de compras durante a Copa de 2026, com impacto direto em snacks, bebidas e conveniência. As apostas esportivas, que já estão presentes em metade dos lares brasileiros, ampliam ainda mais esse envolvimento do consumo com o esporte.
O consumidor brasileiro de 2026 é mais ansioso, mais criterioso, mais digital, mais pet lover, mais saudável na teoria e mais impulsivo pelo WhatsApp na prática. E as marcas que não entenderem essa nova matemática emocional vão ficar para trás.
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