Toda vez que o assunto é buteco no Brasil, o cenário é o mesmo: chope gelado, balcão suado e aquele petisco que ninguém sabe direito o que tem, mas todo mundo pede. Só que em 2026 o Comida di Buteco decidiu provocar. O tema desta edição, a 26ª do concurso, é Verduras — e o país inteiro está digerindo a ideia.
O concurso, que foi criado em 2000 em Belo Horizonte e hoje é o maior do gênero no Brasil, reúne neste ano mais de 1.200 bares espalhados por dezenas de cidades. A competição acontece entre 10 de abril e 3 de maio, e hoje, 30 de abril, os bares estão na reta final da disputa — faltam apenas três dias para o encerramento das votações.
A regra é simples e ao mesmo tempo desafiadora: cada petisco criado para o concurso precisa ter uma verdura como ingrediente. Não como enfeite. Como protagonista. E foi aí que a criatividade explodiu. No Rio de Janeiro, mais de 150 bares participam, com pratos inéditos que vão de bolinho de repolho com queijo e presunto até medalhão de tilápia recheado envolto com bacon e servido com molho de alho-poró. Em cidades do interior, botecos de família transformaram receitas de quintal em pratos de concurso — e clientes de outras cidades estão viajando só para experimentar.
A avaliação é democrática e tem uma lógica curiosa: o petisco vale 70% da nota, e os outros 30% se dividem entre atendimento, temperatura da bebida e higiene. O resultado final combina 50% do voto do público e 50% dos jurados. Para evitar o famoso "bairrismo", cada buteco recebe três avaliadores — um da própria cidade e dois de fora.
Os campeões regionais serão conhecidos entre o fim de maio e início de junho, um em cada um dos 27 circuitos do país. Em julho, na cerimônia nacional em São Paulo, será revelado o Melhor Buteco do Brasil de 2026.
O dado mais curioso: 42% dos bares participantes do concurso são gerenciados por mulheres — um número que contraria o imaginário tradicional do boteco masculino e revela uma transformação silenciosa que está acontecendo há anos nos balcões do Brasil.
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