O comportamento de compra do brasileiro passou por uma transformação estrutural profunda e os dados de 2026 confirmam que essa mudança veio para ficar. Segundo relatório da Worldpanel by Numerator — empresa que monitora o consumo de quase 6 bilhões de pessoas em mais de 50 países — o mercado de bens de consumo no Brasil está estável em volume, mas completamente diferente na forma como as pessoas compram.
O primeiro grande sinal é que o brasileiro está indo mais vezes às lojas, mas comprando menos por vez. As visitas ao ponto de venda cresceram 12,8%, enquanto o número de itens por compra caiu 10,4%. Isso revela um consumidor que planeja mais, compara preços com mais intensidade e evita o impulso. Depois de anos de instabilidade econômica e custo de vida em alta, o brasileiro de 2026 chegou cansado ao mercado — e esse cansaço se traduziu em racionalidade. O luxo perdeu espaço para valores como tempo, simplicidade e praticidade. Cresce o fenômeno chamado de "microalegrias": pequenas satisfações do cotidiano que substituem grandes compras.
Outro fenômeno de destaque é a explosão do consumo digital via WhatsApp. Dois em cada cinco brasileiros já fazem compras pelo aplicativo, impulsionando o chamado social commerce. No total, os pedidos online de bens de consumo cresceram 13,8%, e o delivery de alimentos e bebidas já atinge 77% dos lares, com tíquete médio quase três vezes maior do que nos canais físicos.
A saúde mental tornou-se um vetor de consumo. As licenças médicas por ansiedade e depressão cresceram 68% entre 2023 e 2025, e essa realidade está moldando escolhas nas prateleiras: 46% dos consumidores estão ativamente reduzindo o consumo de açúcar, e o uso crescente das chamadas "canetas emagrecedoras" (medicamentos à base de GLP-1) está alterando o tamanho das porções e o volume geral de alimentos consumidos. Produtos com benefícios funcionais reais, bebidas com baixo ou sem teor alcoólico e itens que transmitam cuidado com o corpo e a mente estão em ascensão.
No universo dos pets, o crescimento é notável. Casais sem filhos — um perfil familiar cada vez mais comum no Brasil — respondem por 41% das compras de alimentos para animais, com gasto médio 10% acima da média nacional. O mercado de perfumes e higiene e beleza também surpreende: o brasileiro usa cerca de seis categorias de produtos de beleza por semana e o mercado de perfumes cresceu 15% recentemente.
Por fim, um dado que aponta para o segundo semestre: com a Copa do Mundo 2026 se aproximando, o tíquete médio de compras deve crescer 12% durante o torneio, puxado por snacks, bebidas e conveniência. As apostas esportivas, já presentes em metade dos lares brasileiros, ampliam ainda mais o engajamento do consumidor com esse universo.
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