Uma pesquisa da Neogrid em parceria com o Opinion Box, com grande repercussão no mercado esta semana, traça um retrato preocupante e revelador do consumidor brasileiro em 2026.
O consumidor está com o pé no freio
Três dados resumem bem o cenário: 76% dos brasileiros pretendem cortar custos ao longo do ano, 71% afirmam estar mais sensíveis ao preço, e 81% acreditam que produtos e serviços vão ficar mais caros em 2026. O resultado é um consumo mais seletivo, planejado e condicionado ao contexto econômico não necessariamente uma retração total, mas uma mudança profunda de comportamento.
O peso do endividamento
Por trás dessa cautela, há um dado alarmante: segundo a Serasa, 81,2 milhões de brasileiros encerraram 2025 com dívidas em atraso o equivalente a 57% da população economicamente ativa. Mais da metade dos consumidores pesquisados declara ter dívidas, sendo que 15% afirmam não saber como vão quitá-las. Outros 15% não têm dívidas, mas também não possuem nenhuma reserva financeira.
O varejo perdeu fôlego
Apesar do desemprego estar em 5,1% menor patamar histórico , o varejo cresceu apenas 0,1% no acumulado de 2025, vindo de uma expansão de 4,1% em 2024. O paradoxo é claro: emprego e renda em alta, mas consumo travado. A explicação está na combinação de juros altos a Selic projetada em 12,13% ao ano para o final de 2026 e no endividamento recorde das famílias, que compromete o orçamento mesmo com renda disponível maior.
O que vai movimentar o consumo em 2026?
Apesar do cenário de cautela, há janelas de oportunidade. A Copa do Mundo é um desses momentos: 64% dos entrevistados pretendem acompanhar os jogos da Seleção, e entre eles há expectativa de novos gastos com alimentos e bebidas (51%) e roupas e acessórios temáticos (24%). Os 11 feriados prolongados no ano também devem incrementar os gastos de 48% dos consumidores, com lazer, alimentação e viagens liderando as intenções.
A boa notícia: inflação em queda
No lado positivo, a inflação oficial acumulada em 12 meses recuou para 3,81% em fevereiro abaixo de 4% pela primeira vez em quase dois anos e a projeção do mercado para o IPCA em 2026 está em 3,91%, dentro do intervalo da meta do Banco Central. Se o ciclo de corte de juros se confirmar, o crédito deve ficar mais acessível ao longo do ano, o que pode ajudar a destravar o consumo no segundo semestre.
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