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Diário de Notícias

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O Planeta está esquentando os oceanos — e o fenômeno que assusta cientistas pode estar de volta

Uma sequência de alertas climáticos emitidos nas últimas semanas por organismos científicos de todo o mundo está deixando especialistas em estado de atenção máxima. O motivo? Os oceanos estão próximos de bater novos recordes históricos de temperatura — e o temido El Niño pode estar prestes a voltar com força total.


O Dado que Assustou o Mundo

O observatório europeu Copernicus, programa da União Europeia para monitoramento climático, divulgou recentemente um relatório que chocou a comunidade científica. A temperatura da superfície dos oceanos atingiu 20,97°C em março de 2026 — apenas um décimo de grau abaixo do recorde histórico registrado em março de 2024. E os dados de abril mostram que a média continua subindo.

Carlo Buontempo, diretor do Copernicus para alterações climáticas, resumiu o momento de forma contundente: "Cada número é impressionante por si só, mas o conjunto oferece o retrato de um sistema climático sujeito a pressões sustentadas e cada vez mais fortes."

Além disso, a calota de gelo do Ártico atingiu a menor extensão já registrada num inverno, em nível semelhante ao recorde do ano passado.


O El Niño Está Voltando?

A NOAA, agência oceanográfica dos Estados Unidos, emitiu um alerta: existe uma probabilidade de 62% de que o El Niño se desenvolva entre junho e agosto de 2026. E o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas vai além — seus modelos apontam para a possibilidade de um Súper El Niño, com anomalias de temperatura no Pacífico ecuatorial que poderiam superar 2°C acima do normal.

Se confirmado, esse evento poderia ser comparado aos históricos episódios de 1997-1998 e 2015-2016 — dois dos mais devastadores já registrados.


O que isso significa para o Brasil e o mundo?

Os efeitos de um El Niño forte são globais e imediatos. Regiões da América do Sul — incluindo partes da Amazônia — tendem a sofrer secas prolongadas, enquanto o Sul do Brasil pode enfrentar chuvas intensas e inundações. No restante do planeta, os padrões de furacões, monções e ondas de calor se alteram drasticamente.

E o dado mais preocupante de todos: em um contexto de mudança climática acelerada, um El Niño moderado hoje pode causar os mesmos estragos que um El Niño forte causava há 20 anos — porque o planeta já está mais quente como pano de fundo.


A curiosidade que poucos sabem: O El Niño não é apenas um fenômeno climático — ele é como uma "válvula de pressão" dos oceanos, liberando de volta à atmosfera o calor que o Pacífico acumulou por anos. Quando esse calor encontra um planeta já superaquecido pelo efeito estufa, o resultado pode ser imprevisível e, segundo os cientistas, potencialmente sem precedentes na história moderna.

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