0

Diário de Notícias

DN.

O "Trump Slump": o país que deveria ser o maior destino turístico de 2026 está afugentando visitantes — e perdendo bilhões

2026 era para ser o ano de ouro do turismo americano. Os Estados Unidos tinham tudo para isso: a Copa do Mundo da FIFA em seu território, o centenário da histórica Rota 66 e o 250º aniversário da Declaração de Independência. Um trio de eventos que, em circunstâncias normais, colocaria o país no topo do turismo global. Em vez disso, o que acontece é o contrário — e o fenômeno já ganhou até apelido: o "Trump Slump".


O que está acontecendo?

Os Estados Unidos foram, em 2025, o único grande destino turístico do planeta a registrar queda em pleno boom global. Enquanto o turismo internacional cresceu 4% no mundo — alcançando 1,5 bilhão de viajantes segundo o Barômetro da ONU — os EUA registraram uma retração de 5,4% a 6% nas chegadas internacionais. Isso representa aproximadamente 4,5 milhões de visitantes a menos em relação a 2024. E em 2026, a sangria continua: janeiro registrou o nono mês consecutivo de queda no número de turistas estrangeiros.


Por que os turistas estão desistindo dos EUA?

A lista de razões é longa e crescente. As políticas migratórias mais rígidas do governo Trump, as operações intensificadas do ICE — inclusive em aeroportos — e os relatos de detenções de turistas europeus criaram uma percepção global de que os EUA se tornaram um destino hostil. Casos de turistas franceses e alemães presos ao tentar entrar no país viraram manchete internacional e funcionaram como publicidade negativa de enorme alcance.

Além disso, o governo americano propôs exigir que visitantes isentos de visto revelem o histórico completo de suas redes sociais dos últimos cinco anos antes de entrar no país. O World Travel and Tourism Council calculou o impacto desta medida sozinha: uma queda de 23,7% nos turistas provenientes dos 42 países atualmente elegíveis ao sistema, com perdas de até 15,7 bilhões de dólares em gastos diretos e 21,5 bilhões de dólares no PIB do turismo americano — além de 150 mil empregos em risco.


O colapso canadense — e o dado mais curioso de toda essa história

O caso mais emblemático é o do Canadá. Os canadenses historicamente representavam mais de metade das chegadas internacionais aos EUA. Em 2025, as visitas canadenses caíram entre 22% e 30%, com 4 milhões de visitantes a menos. Apenas no verão de 2025 foram 3 milhões de viagens canceladas. Em janeiro de 2026, o tombo chegou a 28% em relação ao mesmo mês de 2024.

O motivo vai além das políticas migratórias: Donald Trump fez declarações públicas sugerindo que o Canadá deveria se tornar o "51º estado" dos EUA e impôs tarifas comerciais pesadas ao país vizinho. O resultado? Companhias aéreas canadenses como WestJet e Air Transat cortaram rotas para os EUA e redirecionaram voos para México, Caribe e Paris. Os canadenses, simplesmente, pararam de ir.


Quem está ganhando com isso?

O México, que é alvo frequente de críticas e ameaças de Trump, bateu recorde próprio em 2025 com 98,2 milhões de visitantes internacionais — muitos deles exatamente canadenses e europeus que optaram por não ir aos EUA. A Espanha recebeu 96,5 milhões de visitantes e a França chegou a 105 milhões. Os EUA, que antes representavam 8,4% do turismo global, viram sua participação cair para menos de 5% — e perderam a segunda posição no ranking mundial de destinos.

O Goldman Sachs calculou que, no pior cenário, o impacto total dos boicotes e da retração turística pode chegar a 0,3% do PIB americano — o equivalente a quase 90 bilhões de dólares.


💡 O paradoxo que resume tudo: o país que sediará a Copa do Mundo da FIFA em 2026 está sendo boicotado exatamente no ano em que teria a maior oportunidade de atrair o mundo para suas cidades. O que era para ser uma festa global pode virar o maior vexame turístico da história moderna americana.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.