Uma virada silenciosa mas poderosa está acontecendo no mundo das viagens em 2026, e ela diz muito sobre como as pessoas estão enxergando o ato de viajar.
Segundo a Revista Tendências do Turismo 2026, divulgada pelo Ministério do Turismo, as preferências dos viajantes brasileiros e internacionais apontam para um movimento claro: fugir dos destinos saturados e buscar lugares menos óbvios, mais autênticos e com experiências que vão além do roteiro padronizado. O documento afirma que há um "interesse elevado dos viajantes por destinos naturais e menos populares, bem como por viagens mais longas, autênticas e com propósito".
E um dos destinos que mais surpreende nessa lista é a Argélia — o maior país da África, que ficou fechado ao turismo internacional desde os anos 1960 e só começou a se abrir em 2023 com novos vistos de 30 dias.
A Argélia é uma síntese rara de mundos completamente diferentes: praias mediterrâneas no norte, ruínas romanas entre as mais bem preservadas do planeta, uma capital chamada de "Paris do Magrebe", e — o mais impressionante — um Saara virgem no sul, onde os viajantes ainda podem percorrer dunas imensas, cânions vertiginosos e formações rochosas sem encontrar praticamente nenhum outro turista. O Parque Nacional de Tassili n'Ajjer, patrimônio da Unesco, abriga pinturas rupestres com mais de 10 mil anos — uma espécie de Louvre da pré-história, em pleno deserto.
Os números revelam o tamanho da oportunidade: em 2023, a Argélia recebeu 3,3 milhões de visitantes, um número modesto se comparado ao Marrocos, que atraiu 14,5 milhões no mesmo período. O governo argelino quer mudar isso radicalmente — a meta é chegar a 15 milhões de turistas por ano até 2030, quintuplicando os números atuais. Para isso, estão prometendo facilitar o sistema de e-visa e abrir novas rotas aéreas, inclusive com o Brasil.
Para quem quiser ir agora — antes que todo mundo descubra — a melhor época é justamente esta, de outubro a abril, quando o calor do Saara é mais ameno. Os custos dentro do país são baixos: hotéis três estrelas a partir de 30 euros por noite, refeições completas por 4 a 10 euros, e pacotes de aventura no deserto saindo por cerca de 600 a 900 dólares por cinco dias com tudo incluído. O desafio está em chegar: voando do Brasil com escalas em Madri, Paris ou Istambul, os preços ficam entre R$ 5 mil e R$ 8 mil — mas especialistas apontam que esse valor deve cair quando as novas rotas aéreas forem abertas.
E enquanto Veneza cobra taxa de entrada, Barcelona testa limites para turistas e Bali luta contra o lixo gerado pelo excesso de visitantes, a Argélia ainda oferece o que está se tornando o maior luxo do turismo moderno: estar em um lugar épico, praticamente sozinho.
0 Comentário(s)