O Dia da Terra foi celebrado ontem, 22 de abril, em mais de 190 países, e os números que embalaram as comemorações de 2026 são difíceis de ignorar. O tema escolhido pela organização Earth Day foi "Nosso Poder, Nosso Planeta", com um objetivo claro e ambicioso: triplicar a capacidade mundial de energia renovável até 2030.
O desafio é enorme porque o ponto de partida ainda é alarmante: os combustíveis fósseis respondem por mais de 80% da matriz energética global. Para mudar isso no prazo, o mundo precisaria investir cerca de US$ 1,4 trilhão por ano até o fim da década.
Os dados científicos que motivam a urgência são contundentes. A temperatura média global já subiu 1,2°C em relação aos níveis pré-industriais. Os últimos três anos foram os mais quentes já registrados na história da humanidade. A concentração de dióxio de carbono na atmosfera chegou a níveis inéditos em 800 mil anos. Os glaciares continentais perderam cerca de 5% do seu volume — água suficiente para abastecer a população mundial por três décadas. E mais de 4 milhões de hectares de florestas desaparecem do planeta a cada ano.
Há uma boa notícia no meio de tudo isso: segundo a Agência Internacional de Energia, a energia solar é hoje a fonte de eletricidade mais barata da história, com custos que caíram mais de 90% nos últimos dez anos. Os veículos elétricos saíram do nicho e viraram produto de mercado. O armazenamento em baterias está se tornando competitivo. A transição está acontecendo — só não rápido o suficiente.
Um dado que poucos conhecem e que chama atenção: atualmente mais de 3,8 bilhões de pessoas vivem em situação de pobreza energética, sem acesso ao mínimo necessário de eletricidade para ter qualidade de vida. A crise climática, portanto, não é só uma questão ambiental — é também uma questão de desigualdade profunda.
No Brasil, o cenário tem impacto direto: os últimos cinco anos registraram os verões mais quentes da história do país, com chuvas intensas seguidas de estiagens severas — ciclo que especialistas associam diretamente às mudanças climáticas agravadas pelo desmatamento.
O Dia da Terra passou ontem. O problema continua hoje.
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