Ontem, 28 de março, o Paço Imperial abriu as portas para a megaexposição "Constelações — 40 anos do Paço Imperial", celebrando quatro décadas do mais antigo centro cultural do Centro do Rio de Janeiro. A mostra reúne cerca de 160 obras de mais de 100 artistas e ocupa os 12 salões e os dois pátios internos do edifício histórico da Praça XV com entrada totalmente gratuita e visitação garantida até 7 de junho de 2026.
Uma casa com história de séculos
Construído em 1733 e inaugurado em 1743, o Paço Imperial tem uma trajetória que atravessa toda a história do Brasil. Serviu como residência dos Vice-Reis, depois virou Paço Real quando D. João VI chegou ao Rio em 1808, e foi sede do governo durante o Império. Após a Proclamação da República, abrigou a Agência Central dos Correios. Tombado pelo Iphan em 1938 e restaurado em 1983, reinaugura como centro cultural em 1985 e é dessa data que vêm os 40 anos celebrados agora.
O que é a exposição "Constelações"
Com curadoria de Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim, a mostra reuniu um ano inteiro de pesquisa para levantar todas as exposições e artistas que passaram pelo espaço nas últimas quatro décadas. O resultado é uma constelação sem hierarquia, sem circuito fixo que junta arte contemporânea e arte popular, diferentes gerações, técnicas e suportes numa única experiência.
Entre os nomes presentes estão alguns dos maiores da arte brasileira: Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Cildo Meireles, Beatriz Milhazes, Adriana Varejão, Arthur Bispo do Rosário, Roberto Burle Marx, Tunga, Anna Maria Maiolino e muitos outros. Há também obras de artistas contemporâneos como Maxwell Alexandre e Denilson Baniwa, mostrando que a história do Paço é também a história da diversidade da arte nacional.
Os destaques da mostra
Um dos momentos mais aguardados é a recriação do jardim de Roberto Burle Marx no pátio principal o mesmo espaço onde foi instalado originalmente em 2008, durante a mostra do centenário do artista. A instalação inédita "Agrupamento", de José Damasceno, foi criada com materiais coletados na própria feira da Praça XV, bem na porta do Paço. A exposição está dividida em nove núcleos temáticos"Paisagem", "Construção", "Corpos", "Cidade", "Terra e Mar", entre outros mas intencionalmente não há um circuito pré-definido: cada visitante traça seu próprio caminho pelo espaço.
Completam a mostra 15 vídeos históricos produzidos pela Rio Arte nas décadas de 1980 e 1990, com registros de Amilcar de Castro, Lygia Clark, Tunga e outros artistas considerados pelos curadores não como simples documentos, mas como obras de arte em si mesmos.
Por que isso importa
O Paço Imperial é anterior ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB, inaugurado em 1989), ao MAM e a praticamente todos os outros centros culturais do coração do Rio. Sua trajetória é inseparável da história da arte contemporânea brasileira. Comemorar 40 anos com uma exposição desse porte gratuita, num prédio de quase 300 anos é um gesto poderoso de democratização da cultura nacional.
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