O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), minimizou a repercussão do vídeo em que aparece imitando uma pessoa com deficiência visual em um camarote na Marquês de Sapucaí. Nesta sexta-feira, 20, ele interrompeu um jornalista antes mesmo do fim da pergunta sobre o episódio e classificou o gesto como uma infelicidade.
"Foi uma infelicidade minha. Uma infelicidade. Valeu", afirmou. Em seguida, despediu-se e deixou a entrevista coletiva, sem responder a novos questionamentos.
As imagens, divulgadas nas redes sociais, mostram o prefeito usando óculos escuros e segurando um objeto que simula uma bengala longa, utilizada por pessoas cegas. A gravação provocou críticas imediatas nas redes sociais.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, compartilhou um vídeo de uma pessoa com deficiência visual condenando a atitude de Paes. "Mais uma do amigão do Lula", escreveu.
Aliança com Lula e grupo de Bolsonaro
Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Paes estava no mesmo camarote que o petista no dia em que foi flagrado. O prefeito ofereceu dois espaços institucionais da Prefeitura do Rio para Lula, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e convidados acompanharem os desfiles.
O carnaval era visto como um momento simbólico para consolidar a aliança entre os dois no Estado. No entanto, na quinta-feira, 19, Paes anunciou a advogada Jane Reis como pré-candidata a vice em sua chapa ao governo fluminense.
Jane é irmã de Washington Reis, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ex-secretário do governador Cláudio Castro (PL). Presidente estadual do MDB e ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington declarou apoio a Flávio Bolsonaro na disputa eleitoral.
Em janeiro, Paes confirmou que é pré-candidato ao Palácio Guanabara e, em reunião fora da agenda no Palácio do Planalto, assegurou a Lula que dará palanque ao presidente no Rio de Janeiro.
Polêmicas envolvendo Paes
Não é a primeira vez que Eduardo Paes se vê no centro de controvérsias. Em 2016, durante o segundo mandato à frente da Prefeitura do Rio, o então prefeito foi gravado em conversa telefônica com Lula, interceptada pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato. No diálogo, Paes referiu-se ao sítio Santa Bárbara, em Atibaia, investigado à época, como "sitiozinho vagabundo" e classificou Maricá, na região metropolitana do Rio, como "uma merda de lugar".
"Agora, da próxima vez o senhor me para com essa vida de pobre, com essa tua alma de pobre comprando 'esses barco de merda', 'sitiozinho vagabundo', puta que me pariu!", diz Paes na gravação, enquanto Lula reage com risadas. Em outro trecho, o então prefeito afirma: "Imagina se fosse aqui no Rio esse sítio dele, não é em Petrópolis, não é em Itaipava. É como se fosse em Maricá. É uma merda de lugar, porra!".
Após a repercussão negativa, especialmente entre moradores de Maricá, Paes classificou as declarações como comentários de extremo mau gosto e afirmou ter sentido arrependimento e vergonha.
No mesmo ano, outro episódio ganhou destaque nas redes sociais. Em vídeo que circulou na internet, Paes aparece fazendo comentários de conotação sexual a uma mulher que havia acabado de receber um apartamento da prefeitura. Ao entrar no imóvel, ele diz no quarto: "Vai trepar muito nesse quartinho". Em seguida, pergunta se ela é casada e acrescenta: "Vai trazer muito namorado pra cá". Em outro momento, insiste: "Rita, faz muito sexo aqui".
Do lado de fora, dirigindo-se a vizinhos que acompanhavam a cerimônia, o então prefeito afirmou: "Ela disse que vai fazer muito canguru perneta aqui. Tá liberado, hein. A senha primeiro". A mulher, constrangida, afasta-se e diz que irá trancar a porta. Ao perceber a situação, Paes comenta com o cinegrafista: "Corta, hein".
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