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Páscoa 2026 deve bater recorde no varejo com R$ 3,57 bilhões em vendas, mas endividamento do consumidor é o grande paradoxo

A Páscoa chega nesta semana como uma das datas mais movimentadas do varejo brasileiro em 2026. Os números projetados são históricos mas revelam um consumidor dividido entre o desejo de celebrar e a pressão das dívidas.

O recorde esperado

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta que o varejo brasileiro deve faturar R$ 3,57 bilhões com as vendas de Páscoa neste ano, crescimento real de 2,5% em relação a 2025. Seria o maior volume registrado desde o início da pesquisa. Segundo levantamento da CNDL e do SPC Brasil, cerca de 106,8 milhões de consumidores devem ir às compras 4,2 milhões a mais do que no ano passado. O gasto médio previsto por pessoa é de R$ 253.

O que os brasileiros estão comprando

Os ovos de chocolate industrializados continuam no topo da preferência, com 56% da intenção de compra, seguidos por bombons (50%) e barras de chocolate (39%). Um destaque importante é a ascensão dos produtos artesanais e caseiros, que já disputam com os industrializados: 40% dos consumidores pretendem comprar ovos artesanais, impulsionados pela busca por qualidade superior e personalização. Além dos chocolates, a Páscoa também movimenta bacalhau, salmão, vinhos, queijos e azeite, já que 49% dos brasileiros mantêm a tradição de pratos típicos na data.

O problema do cacau e do bacalhau

A CNC alerta que os bens e serviços típicos da Páscoa devem estar em média 6,2% mais caros do que em 2025 reajuste acima da inflação pelo terceiro ano consecutivo. O chocolate deve apresentar alta média de 14,9% no varejo, reflexo da valorização do cacau no mercado internacional, cujos preços subiram 37% no exterior. O bacalhau ficou 7,7% mais caro. Com isso, as importações de chocolate e bacalhau caíram 27% e 22%, respectivamente, abrindo espaço para produtos nacionais.

O grande paradoxo

Apesar dos números positivos de vendas, o levantamento da CNDL expõe uma contradição preocupante. Entre os consumidores que não vão comprar na Páscoa, 51% justificam a decisão pela necessidade de priorizar o pagamento de dívidas — um salto de 31 pontos percentuais em relação a 2025. E, dos que pretendem comprar, 38% já possuem contas em atraso, sendo que 75% destes estão negativados. "O cenário apresenta um paradoxo: embora haja um desejo latente de celebrar e presentear, o componente de restrição financeira está mais forte do que nunca", afirmou o presidente da CNDL, José César da Costa.

O perfil do consumidor em 2026

Os dados revelam um consumidor mais racional e planejado. Oitenta e dois por cento pretendem pesquisar os preços antes de comprar. A qualidade (45%) superou o preço (44%) como principal critério de decisão pela primeira vez, sinalizando busca por valor percebido. Quanto à forma de pagamento, o PIX lidera (29%), seguido por cartão de débito (28%) e crédito à vista (24%), indicando clara preferência por evitar parcelamentos. Os supermercados continuam sendo o canal favorito (62%), e 62% pesquisam na internet antes de comprar mas apenas 25% finalizam a compra online.

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