O varejo brasileiro está prestes a registrar o maior faturamento de Páscoa desde 2005, quando a Confederação Nacional do Comércio (CNC) começou a medir o desempenho da data. A projeção divulgada ontem aponta R$ 3,57 bilhões em vendas, alta de 2,5% em volume real em relação à Páscoa de 2025, já descontada a inflação.
A notícia é boa para o varejo. Para o bolso do consumidor, porém, o cenário é mais complicado.
O chocolate nunca foi tão caro
O ovo de Páscoa, símbolo maior da data, registrou alta de 124,7% no preço na primeira semana de março em comparação ao mesmo período do ano passado. No varejo como um todo, o chocolate deve ficar em média 14,9% mais caro — e isso já é o reflexo de uma queda no preço do cacau, que chegou a custar US$ 13 mil por tonelada em 2024 e hoje está em torno de US$ 3 mil, com a normalização da produção na Costa do Marfim e em Gana.
Os outros itens tradicionais da data também pesam no bolso: bacalhau com alta de 7,7%, alimentação fora do lar +6,9%, e a cesta completa de Páscoa deve ficar 6,2% mais cara em relação a 2025 pelo terceiro ano consecutivo acima da inflação.
Por que as vendas crescem mesmo assim?
O mercado de trabalho aquecido é o principal fator. O desemprego fechou 2025 em apenas 5,1%, o menor nível histórico do Brasil. A massa salarial real cresceu, e os produtos de Páscoa têm uma vantagem estratégica: são menos dependentes de crédito do que outros bens, o que os torna menos sensíveis aos juros elevados que ainda pressionam o consumo de itens como eletrodomésticos e veículos.
O movimento curioso: menos importação, mais Brasil
Com o cacau e o bacalhau muito mais caros lá fora altas de 37% e 19% respectivamente no mercado internacional, as importações dessas categorias despencaram: 27% menos chocolate importado e 22% menos bacalhau do exterior neste ano. O efeito colateral positivo é que os produtos nacionais ganham espaço nas prateleiras e nas mesas dos brasileiros.
A Páscoa cai em 5 de abril e o varejo tem menos de uma semana para transformar essa projeção em caixa.
O recado do mercado é claro: o brasileiro vai comprar, mas está cada vez mais seletivo escolhendo melhor, comparando mais e trocando de marca sem culpa quando o preço aperta.
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