A modernização da pecuária tornou-se uma das principais condições para que o Brasil avance no cumprimento de suas metas climáticas. Dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa mostram que a agropecuária respondeu por 29% das emissões nacionais de gases de efeito estufa em 2024, a maior participação do setor em mais de três décadas.
O metano é o principal desafio. Das aproximadamente 21 milhões de toneladas emitidas pelo país naquele ano, 75,8% vieram da agropecuária. Mais de 90% das emissões do setor estão associadas à criação de gado, sobretudo à fermentação entérica, processo natural da digestão dos animais.
Para enfrentar o problema, um relatório do SEEG reúne 37 propostas destinadas à redução das emissões brasileiras de metano, sendo 15 direcionadas à agropecuária. Entre as medidas estão a recuperação de pastagens, a integração entre lavoura, pecuária e floresta, a melhoria da alimentação e da genética dos animais, a redução da idade de abate e o tratamento adequado dos resíduos da produção.
Especialistas avaliam que as mudanças podem diminuir o impacto ambiental e, ao mesmo tempo, elevar a produtividade das propriedades rurais. Para que as práticas sustentáveis ganhem escala, porém, será necessário ampliar a assistência técnica, a rastreabilidade do rebanho e as linhas de crédito, especialmente para pequenos e médios produtores. A transformação do setor é considerada decisiva para que o Brasil reduza suas emissões e fortaleça uma produção agropecuária mais eficiente e sustentável.
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