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Diário de Notícias

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A Pedra de Roseta foi encontrada num 15 de julho de 1799 — há 227 anos

Há 227 anos, em 15 de julho de 1799, uma descoberta aparentemente casual mudava o rumo da arqueologia e da história antiga. Durante obras de reforço do Forte Julien, próximo à cidade de Rashid — conhecida pelos europeus como Roseta —, no delta do Nilo, soldados franceses encontraram uma grande pedra de granodiorito coberta por inscrições em três sistemas de escrita diferentes. O artefato ficaria conhecido como Pedra de Roseta e se tornaria a chave para desvendar os hieróglifos do Egito Antigo.


A pedra chamou a atenção do oficial e engenheiro Pierre-François Bouchard, que percebeu o valor histórico da inscrição. O texto era o mesmo em três versões: grego antigo, escrita demótica e hieróglifos egípcios. Como o grego já era conhecido pelos estudiosos, os pesquisadores passaram a comparar os trechos, iniciando um trabalho que levaria mais de duas décadas para ser concluído.


O grande avanço ocorreu em 1822, quando o linguista francês Jean-François Champollion conseguiu decifrar o sistema hieroglífico utilizando a Pedra de Roseta como referência. A descoberta revolucionou os estudos sobre o Egito Antigo, permitindo que templos, túmulos, monumentos e papiros fossem finalmente compreendidos após quase 1.500 anos de silêncio. A partir desse momento, nasceu a egiptologia moderna, área dedicada ao estudo da civilização egípcia.


Originalmente esculpida por volta de 196 a.C., durante o reinado de Ptolomeu V, a Pedra de Roseta traz um decreto emitido por sacerdotes em homenagem ao faraó. Após a derrota das tropas de Napoleão para os britânicos, em 1801, o artefato foi transferido para Londres como parte dos termos de rendição. Desde 1802, permanece em exposição no Museu Britânico, onde é uma das peças mais visitadas da instituição. O Egito, entretanto, reivindica há décadas a devolução da pedra, argumentando que ela representa um dos maiores patrimônios culturais do país.


Mais de dois séculos depois, a Pedra de Roseta continua sendo considerada um dos objetos arqueológicos mais importantes já encontrados. Seu papel na decifração dos hieróglifos permitiu reconstruir aspectos da religião, da política, da literatura e do cotidiano do Egito Antigo, transformando uma simples pedra em um dos maiores símbolos da história da humanidade.

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