Um estudo brasileiro publicado na revista científica International Psychogeriatrics trouxe resultados que estão chamando atenção no mundo da neurociência: pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em parceria com o Departamento de Gerontologia da EACH-USP, identificaram benefícios importantes de um programa de estimulação cognitiva em idosos escolarizados sem comprometimento cognitivo — e é considerado o primeiro ensaio clínico randomizado de longa duração sobre o tema realizado no Brasil com idosos saudáveis.
Os números impressionam: os participantes que seguiram o protocolo apresentaram redução de 60% nas queixas cognitivas, melhora de aproximadamente 45% na memória ao longo de um ano e queda de 29% nos sintomas depressivos.
Mas os benefícios não pararam por aí. Os resultados também indicaram melhora em habilidades como planejamento, organização, tomada de decisões e fluidez na comunicação — as chamadas funções executivas.
O estudo acompanhou 207 pessoas com 60 anos ou mais, distribuídas em três grupos: um que participou do programa, outro que recebeu aulas sobre envelhecimento saudável, e um terceiro sem nenhuma intervenção. As avaliações foram feitas ao longo de dois anos.
O dado que deixa ainda mais curioso: estudos internacionais apontam que cerca de 45% dos casos de Alzheimer no mundo poderiam ser evitados com a redução de fatores de risco ao longo da vida — e na América Latina essa estimativa sobe para 56%.
Em outras palavras, palavras-cruzadas, sudoku e jogos de tabuleiro podem ser mais poderosos do que muita gente imagina. O cérebro, assim como o músculo, responde ao treino.
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