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Piso projetado para saldo comercial em 2026 supera resultado de 2025, diz MDIC

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O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, disse que o governo espera uma alta no saldo comercial em 2026, com o piso projetado sendo maior que o realizado em 2025, quando houve US$ 68,3 bilhões de superávit para a balança brasileira. A projeção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é de que o superávit da balança comercial fique entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões neste ano.

Para as exportações, a expectativa é de um valor entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, e para as importações, entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.

Os resultados da balança comercial em 2025 foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC. Foi registrado superávit comercial de US$ 68,3 bilhões no ano passado, resultado que ficou acima das expectativas de mercado (US$ 65,0 bilhões) e o terceiro melhor da série histórica, atrás apenas de 2023 e 2024.

China

Já em relação às tarifas adicionais cobradas pela China sobre a carne brasileira, Brandão afirmou que qualquer tipo de barreira tarifária afeta o comércio entre os países. "Qualquer barreira tarifária, ela tem um efeito sobre o comércio, mas quanto às negociações e às conversas que estão sendo realizadas, eu não comento sobre isso", declarou.

Ele disse ainda que é muito difícil que o Brasil perca espaço na venda de soja para a China pela competitividade brasileira. Segundo ele, mesmo que o País perca espaço nessa commodity no mercado chinês, haverá um redirecionamento.

"O que vimos historicamente em 2018, também ocorreu um fenômeno parecido, da China deixar de comprar soja dos Estados Unidos e comprar mais do Brasil. O que observamos olhando para esse histórico é que o Brasil não perdeu o espaço que ele conquistou. Então é muito difícil o produto do Brasil ser substituído por conta da competitividade", comentou.

Brandão afirmou que o Brasil é responsável por grande parte da venda de soja mundial e que por isso o produto é muito competitivo e pode ser redirecionado. "O produto brasileiro é muito competitivo, a gente exporta mais da metade do mercado mundial da soja, e mesmo que o Brasil perca algum espaço na China, essa soja vai ser colocada em outros mercados que consomem o produto", completou.

EUA

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior disse que há evidência de que a revogação de parte das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros afetou positivamente as exportações nacionais. "Temos uma evidência de que a revogação da tarifa do produto, sim, afetou positivamente a exportação pelo movimento de carne bovina exportada em dezembro especificamente. Esse produto aumentou em 44,4% em relação a dezembro do ano anterior, os embarques para os Estados Unidos. O produto saiu da tarifa em novembro e observamos esse grande aumento em dezembro. Os produtos que cresceram aqui já estavam sem tarifas, mas a principal evidência foi esse desempenho da carne bovina", argumentou.

Sobre a expectativa para 2026, Brandão afirmou que "muito provavelmente" o movimento de exportações aos EUA será de queda no primeiro semestre, em razão do tarifaço. "Observamos um grande aumento de volumes de embarques para os Estados Unidos (em 2025) enquanto não ocorriam os aumentos de tarifas", explicou.

Quanto ao segundo semestre, ele disse que as vendas àquele país vão depender da situação das tarifas até lá. "A tendência é que os exportadores absorvam uma parte desse choque, aumentem um pouco o preço ao consumidor final, reduzam um pouco as suas margens".

Acordo Mercosul-UE

Sobre o adiamento da assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, que estava previsto para ser feito em dezembro de 2025, o técnico disse que a negociação não afeta diretamente o movimento de comércio bilateral.

"Por mais que se adie ou antecipe ou se mude a data de assinatura do acordo, ainda há um caminho para que as reduções tarifárias entrem em vigor. Isso não é automático, tem que ser internalizado pelos blocos e isso pode levar algum tempo ainda", explicou. "Então, os exportadores, as empresas não realizam negócios tendo esse horizonte de assinatura num curto prazo".

Mais cedo, o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, disse que o acordo está "bem encaminhado". Ele repetiu que está otimista e que esse acordo é importante em um momento em que a geopolítica está instável.

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