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Diário de Notícias

DN.

Polícia diz que americano preso por agredir o filho tem histórico de violência familiar

As investigações da Polícia Civil apontam que a família do americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, já vivia em um contexto de violência doméstica havia pelo menos oito anos.

O homem admitiu ter espancado o filho de apenas três anos em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre, e foi preso em flagrante em 5 de junho. O menino Oliver Golden Grayson chegou a ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital na capital gaúcha, não resistiu aos ferimentos e morreu na noite de quarta-feira, 8. A defesa de Dandre não foi localizada pelo Estadão. O espaço segue aberto.

Além de Oliver, Dandre e Mayanna Angelina Rodgers, que foi presa preventivamente na quinta-feira, 9, também são pais de outras quatro crianças, que foram levadas para uma instituição de acolhimento. A defesa de Mayanna afirmou que ela é "vítima" e "se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritual".

Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta sexta-feira, 10, a delegada Luana Medeiros, responsável pelo caso, afirmou que as investigações indicam que as crianças eram agredidas havia pelo menos oito anos.

"A mãe nega que agredisse também, apesar de a gente ter outros relatos que indicam que ela poderia, sim, agredi-los, mas isso tudo ainda está sendo apurado. De qualquer forma, essa mãe foi omissa, o tempo inteiro", disse a delegada.

Segundo Luana, Mayanna levava as crianças ao hospital após as agressões, mas orientava que elas mentissem sobre a origem dos ferimentos. A mãe também vestiria as crianças com roupas de mangas compridas para evitar que outras pessoas vissem os machucados.

Além das agressões físicas, a delegada afirmou que as crianças também eram submetidas a tortura psicológica, pois eram obrigadas a ver os irmãos sendo agredidos. Luana disse que elas tentavam intervir e choravam, o que fazia com que o pai também as agredisse.

A delegada declarou que, apesar de os cômodos da casa da família serem separados apenas por cortinas, a mãe afirmou que não ouviu Oliver pedir ajuda no dia das agressões.

Em depoimento à Polícia Civil, Dandre assumiu a autoria do crime e alegou que teria agredido o menino após ele se recusar a lhe dar "bom dia". Ele afirmou ainda ter desferido socos no peito e no abdômen de Oliver, além de ter batido com a cabeça do menino contra o chão.

De acordo com Luana, a médica que prestou o primeiro atendimento a Oliver afirmou que as lesões encontrados no corpo do garoto não são compatíveis apenas com socos e batidas na cabeça, o que pode indicar que o pai utilizou algum objeto para agredir a criança. No entanto, os laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que devem apontar a causa da morte, ainda não foram concluídos.

A família morou em diferentes Estados desde que chegou ao Brasil. As autoridades gaúchas já solicitaram informações aos Conselhos Tutelares, às Polícias Civis e aos hospitais dessas cidades para verificar quais atendimentos foram prestados às crianças e quais justificativas os pais apresentaram para as lesões.

De acordo com a delegada, a Polícia Civil solicitou uma medida protetiva para os quatro filhos do casal, a fim de impedir que eles se aproximem da mãe até que seja esclarecido se Mayanna teve ou não envolvimento nas agressões.

Luana afirmou que, além do homicídio de Oliver, o inquérito instaurado investiga possíveis episódios de tortura física e psicológica contra as crianças, além de violência doméstica contra Mayanna.

Os policiais também apuram se houve omissão por parte do Conselho Tutelar. A Prefeitura de Viamão já acompanhava a família desde 27 de novembro de 2025, após uma enfermeira de uma unidade de saúde identificar hematomas em Oliver.

As autoridades do Rio Grande do Sul também acionaram a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) para obter informações sobre Dandre. O objetivo é apurar se o missionário religioso já foi investigado por crimes anteriores nos Estados Unidos.

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