O cancelamento da partida entre Independiente Medellín e Flamengo, nesta quinta-feira, 7, pela Libertadores, foi o ápice de uma crise institucional e esportiva que vem incendiando os bastidores do clube colombiano. Protestos violentos, invasão de áreas próximas ao gramado, arremesso de objetos e forte tensão com a diretoria transformaram o Estádio Atanasio Girardot em cenário de caos e levaram ao encerramento definitivo do confronto ainda nos primeiros minutos.
O árbitro Jesús Valenzuela interrompeu o jogo logo após o início, diante da falta de segurança. Cerca de uma hora depois, a Conmebol confirmou o cancelamento da partida, enquanto jogadores e comissão técnica aguardavam nos vestiários.
A revolta da torcida do Medellín ganhou força após a eliminação precoce da equipe no Campeonato Colombiano. No último domingo, o time perdeu por 2 a 1 para o Águilas Doradas, em casa, e terminou fora da zona de classificação aos playoffs nacionais.
Após o tropeço diante do Águilas, o principal alvo dos protestos passou a ser Raúl Giraldo, acionista majoritário do clube. O dirigente entrou no gramado visivelmente alcoolizado após a derrota e fez gestos em direção às arquibancadas, incluindo sinais relacionados a dinheiro, atitude que irritou ainda mais os torcedores.
A repercussão negativa foi imediata. No dia seguinte, Giraldo divulgou um vídeo pedindo desculpas pelo comportamento e anunciou que deixaria temporariamente suas funções administrativas para tentar reduzir a pressão sobre o clube.
Mesmo assim, integrantes das organizadas mantiveram os protestos e passaram a exigir mudanças profundas na estrutura do Medellín, incluindo a venda das ações de Giraldo e sua saída definitiva do comando da equipe.
Técnico caiu após goleada sofrida para o Flamengo
Antes mesmo desse episódio, a instabilidade já tinha atingido a comissão técnica. O treinador Alejandro Restrepo foi demitido poucos dias depois da goleada por 4 a 1 sofrida para o Flamengo, no Maracanã, ainda na fase de grupos da Libertadores.
Para seu lugar, o clube promoveu o interino Sebastián Botero, mas os resultados negativos e o ambiente interno conturbado impediram qualquer reação esportiva.
A torcida passou a direcionar críticas não apenas à diretoria e aos jogadores, mas também à federação colombiana, à Conmebol e até à Fifa, em meio a acusações de falta de comprometimento e insatisfação com decisões recentes envolvendo o clube.
PROTESTOS COMEÇARAM ANTES DA BOLA ROLAR
O clima já era considerado explosivo antes mesmo do duelo contra o Flamengo. Autoridades locais chegaram a discutir a realização da partida com portões fechados, mas a medida não foi adotada.
Desde os instantes iniciais, membros das organizadas - vestidos de preto e com o rosto coberto - acenderam sinalizadores e bombas nas arquibancadas. Objetos foram lançados em direção ao gramado e ao goleiro Agustín Rossi.
Também houve derrubada de grades de proteção, tentativa de invasão do campo e confrontos com policiais. Relatos da imprensa local apontaram ainda agressões a jornalistas dentro do estádio.
Enquanto a confusão aumentava, torcedores entoavam cânticos contra a atual administração do clube, exigindo mudanças imediatas.
FLAMENGO PODE VENCER POR W.O.
Com a suspensão definitiva da partida, a tendência é que a Conmebol aplique derrota por W.O. ao Medellín. O regulamento disciplinar da entidade prevê vitória por 3 a 0 ao adversário quando um clube é considerado responsável pelo cancelamento do jogo.
Caso a punição seja confirmada, o Flamengo herdará os três pontos da partida. Situação semelhante ocorreu recentemente em confronto entre Colo-Colo e Fortaleza, também interrompido por confusão envolvendo torcedores.
A decisão final, no entanto, dependerá da análise dos relatórios da arbitragem e do delegado da partida pela Comissão Disciplinar da Conmebol.
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