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Diário de Notícias

DN.

Presidente da Bolívia corta salário para aplacar protestos e Morales pede nova eleição

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, disse nesta segunda-feira (25) que cortará seu salário e o de seus ministros pela metade em meio a uma crescente crise política marcada por protestos e bloqueios de estradas exigindo sua renúncia, segundo informou a Reuters.

O anúncio ocorreu durante um evento em Sucre e faz parte das tentativas do governo de aplacar as manifestações desencadeadas pela adoção de medidas de austeridade fiscal.

No domingo, 24, o Congresso da Bolívia aprovou um projeto de lei para revogar a Lei do Estado de Exceção, uma norma em vigor desde 2020 que estabelecia condições, prazos e mecanismos de controle para a aplicação de medidas extraordinárias pelo governo em situações de crise, informou a TeleSur. A iniciativa agora precisa ser debatida e aprovada pela Câmara dos Deputados.

Caso receba o sinal verde, o governo terá menos restrições legais para implementar medidas excepcionais.

A Bolívia entrou em sua quarta semana de agitação política e social. Os protestos causaram problemas crescentes na cadeia de suprimentos nas cidades de La Paz e El Alto, onde há grave escassez de alimentos, combustível e medicamentos. Os manifestantes estão pressionando o governo centrista de Paz a reverter as medidas de austeridade e a lidar com o aumento do custo de vida.

No domingo, o ex-presidente da Bolívia Evo Morales pediu a realização de uma nova eleição nos próximos 90 dias para evitar conflitos e mortos, enquanto acusou os EUA de intromissão.

"A intromissão dos Estados Unidos, por meio do secretário de Estado, Marco Rubio, e do argentino Fernando Cerimedo, assessor de políticos de ultradireita como Bolsonaro, Milei, Nasry Asfura, entre outros, está levando ao fracasso o presidente Rodrigo Paz Pereira, que por acaso chegou a ser presidente da Bolívia", escreveu Morales no X no domingo.

"Sua política, ao tentar cumprir a receita do imperialismo - apropriar-se de nossos recursos naturais, privatizar, enriquecer ainda mais os ricos, dividir e colocar bolivianos contra bolivianos e gerar ódio e racismo - é apenas uma opção pelo suicídio político", disse.

Para Morales, Paz age hipocritamente ao defender o diálogo, já que, ao mesmo tempo, insulta e acusa os líderes das organizações sociais de serem terroristas, narcotraficantes, pedófilos e vândalos e emite, por meio do Ministério Público, ordens de prisão ilegais contra os dirigentes.

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