O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta sexta-feira, 17, que toda vez que os regimes democráticos sofrem abalos e retrocedem, representantes do totalitarismo e do nazismo aparecem. "O que queremos é discutir como podemos encontrar uma solução para fortalecer o processo democrático em todo o mundo, para que não permitamos um retrocesso. Porque quando há um retrocesso, surge um Hitler", declarou Lula nesta sexta-feira, em coletiva de imprensa ao lado do primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, em Barcelona.
O líder brasileiro participou da primeira Cúpula Espanha-Brasil, com a presença de uma dezena de ministros de cada país, onde foram assinados diversos acordos bilaterais sobre temas como minerais críticos, combate à violência contra a mulher e cooperação científica.
"Nossos países estão destinados a ser forças motrizes que aproximem ainda mais a União Europeia e a América Latina e o Caribe", enfatizou Sánchez sobre este encontro realizado no Palácio de Pedralbes, que marca a primeira cúpula bilateral deste nível que a Espanha realiza com um país latino-americano. "Enquanto outros reabrem feridas, o que queremos é justamente fechá-las e curá-las, dedicando-nos ao que é importante", acrescentou.
O encontro precede o IV Encontro em Defesa da Democracia, que será realizado na manhã de sábado em Barcelona, onde se espera a presença de líderes de diversos países, incluindo a presidente do México, Claudia Sheinbaum; o presidente da Colômbia, Gustavo Petro; e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.
Este é o quarto encontro desta iniciativa lançada por Lula e Sánchez em 2024, que busca promover a colaboração entre países em apoio ao multilateralismo.
"Hoje, essa paz e os valores que a sustentam estão claramente sob ataque desta onda reacionária, de autoritários, de desinformação - males que ameaçam a força de nossas instituições democráticas", afirmou Sánchez.
O encontro também coincide com o Fórum de Mobilização Progressista Global (GPM), reunião de forças de esquerda, movimentos trabalhistas e pensadores que acontece simultaneamente em Barcelona. Sánchez e Lula estão entre os que têm discursos agendados para a sessão de encerramento do fórum, no sábado.
Venezuela e Maduro
Durante a coletiva, Lula também afirmou que cabe à presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, decidir se convoca ou não uma nova eleição após Nicolás Maduro ter sido capturado pelo governo dos Estados Unidos. Lula disse que Delcy está no poder legitimamente, apesar de o Brasil não ter reconhecido o resultado da eleição que a definiu como vice de Maduro.
Lula disse que é preciso respeitar as questões internas da Venezuela. O petista também evitou entrar em polêmica sobre a operação que prendeu Maduro em janeiro.
Crise da ONU
Na entrevista, Lula voltou a se queixar da crise da ONU, que em sua avaliação está enfraquecida.
"Quando a ONU foi criada, se criou o Conselho de Segurança da ONU para se garantir a paz. (...) Não é o que está acontecendo. As nações que criaram a ONU não respeitam a ONU, as decisões não são cumpridas", declarou o presidente.
Ele disse ainda que a ONU teve um papel fundamental na criação de Israel, logo após o fim da 2ª Guerra Mundial, mas não consegue consolidar a autonomia política dos territórios palestinos.
"A sociedade começa a ficar preocupada, porque a democracia chegou ao seu pico maior, criando o estado de bem-estar social de uma parte da população, sobretudo aqui na Europa, e nesses últimos 20 anos, na maioria dos países, a classe trabalhadora vem só retrocedendo", afirmou Lula.
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