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Diário de Notícias

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Queda de 15% no preço impulsiona retomada do consumo de café no Brasil

Depois de um período em que muita gente reduziu o consumo por causa do preço alto, o café voltou a crescer nas casas brasileiras em 2026. E os números divulgados esta semana pela Associação Brasileira da Indústria de Café, a Abic, explicam muito bem o que está acontecendo no bolso e no hábito do consumidor nacional.

Nos quatro primeiros meses de 2026, o consumo de café cresceu 2,44% em comparação com o mesmo período do ano passado, chegando a 4,9 milhões de sacas de 60 quilos. A recuperação foi sentida com mais força em março, quando as vendas dispararam 10,25% em relação ao mesmo mês de 2025.

O motivo é direto: o preço caiu. O café tradicional, que é a categoria mais consumida no país, ficou 15,51% mais barato em abril de 2026 na comparação com abril do ano passado, com o quilo custando em torno de R$ 55,34 nos supermercados.

Mas o que está por trás dessa queda de preço é o que torna a história curiosa. Nos últimos cinco anos, as lavouras de café brasileiras foram castigadas por uma sequência impressionante de adversidades climáticas: geada em 2021, ondas de calor em 2023, déficit hídrico em 2024 e veranico em 2025. Cada ano, um problema diferente, mas todos reduzindo a oferta e empurrando o preço para cima nas gôndolas.

Agora, em 2026, o ciclo se inverteu. A Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, divulgou que a safra deste ano deve crescer 18% em relação ao ano passado, alcançando 66,7 milhões de sacas. Se a previsão se confirmar, será a maior produção já registrada na série histórica, superando até o recorde de 2020.

Há ainda um detalhe que chama atenção no universo das marcas: enquanto o café torrado e moído voltou a crescer, quem ganhou silenciosamente nos anos de crise foi o café solúvel — mais barato e prático — cujo consumo chegou a crescer 9% em 2025, quando o café comum ficou caro demais para muitas famílias.

O recado do mercado é claro: o brasileiro não abriu mão do café, mas foi encontrando alternativas para continuar tomando mesmo com o bolso apertado. Agora, com os preços cedendo e a safra prometendo recorde, a xícara do dia a dia parece que vai ficar mais cheia e mais barata por um bom tempo. 

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