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Quem é Senival Moura, vereador preso em operação contra infiltração do PCC no transporte de SP

Quem é Senival Moura, vereador preso em operação contra infiltração do PCC no transporte de SP

O vereador de São Paulo, Senival Moura (PT), foi preso nesta quinta-feira, 25, sob a acusação de lavar dinheiro do crime organizado na empresa de ônibus Transunião. A prisão ocorreu durante a Operação Última Parada, contra a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista.


O Estadão não localizou a defesa dos acusados. A empresa e a Prefeitura de São Paulo foram procuradas, mas não retornaram. O espaço segue aberto.


Moura é natural do Alagoas, mas mudou-se para a capital paulista com a família nos anos 1970. Em seu perfil na Câmara Municipal, ele afirma ter trabalhado como engraxate e ajustador ferramenteiro antes de ingressar no setor de transporte público de passageiros, na década de 1990, atuando no sistema de lotações.


O vereador foi um dos fundadores do Sindicato dos Proprietários de Veículos Profissionais Autônomos (Sindilotação) e iniciou sua vida política ao participar de discussões sobre o setor.


Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1984, Moura está em seu sexto mandato na Câmara Municipal. Atualmente, ele ocupa o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão Extraordinária do Idoso e de Assistência Social.


A operação


A operação que resultou na prisão de Moura também teve como alvo o presidente da Transunião, Lourival de França Monário. A empresa de ônibus é a quarta que atua na capital investigada por elo com o PCC.


A ação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil. Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão temporária e 103 de busca e apreensão em 13 cidades de São Paulo e Minas Gerais. Também foram bloqueados até R$ 194 milhões em bens dos investigados, além de 117 ônibus, 21 imóveis e três embarcações. Seis integrantes da cúpula da Transunião foram afastados, e a direção da empresa passará à SPTrans.


Do inquérito sobre o uso da Transunião como plataforma para a lavagem de dinheiro do crime organizado emergiram novas provas sobre a atuação do petista no setor. Segundo os investigadores, a análise dos registros encontrados em duas planilhas apreendidas no inquérito do assassinato do então presidente da empresa de ônibus, Adauto Soares Jorge, ocorrido em 2020, levou à abertura desse novo inquérito e à identificação dos verdadeiros donos de veículos da Transunião.


Sob os nomes "Contato" e "Contato3", os documentos apontam que Senival Moura figurava como "efetivo" explorador econômico de parcela significativa da frota vinculada à empresa. Segundo a investigação, isso foi constatado a partir da repetição sistemática do nome "Senival" associado a múltiplos veículos em planilhas mantidas pela Transunião.


Essa contabilidade operacional paralela associava o vereador a 13 ônibus, distribuídos em nome de diferentes operadores formais, pessoas jurídicas e, em determinados casos, até mesmo à própria Transunião Transportes S.A. Foi assim que a polícia identificou o suposto patrimônio oculto do petista.


Um dos veículos, por exemplo, estava registrado em nome de um laranja, mas, na ficha, o ônibus era vinculado ao CPF da mulher de Senival, Maria de Lourdes Andrade de Moura. Outro veículo estaria vinculado ao CPF de Ítalo Andrade de Moura, um dos filhos do vereador.


Todos os ônibus que figuravam na planilha sob a rubrica "cooperado" estavam em nome de laranjas. Além dos veículos, o vereador teria em seu nome a empresa SPM Transporte Urbano de Passageiros e Cargas e também usaria, segundo os investigadores, assessores e filhos para dissimular seu patrimônio.

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