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Diário de Notícias

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Rã à milanesa, jacaré ao molho de urucum e coxinha de jacaré: as carnes exóticas estão conquistando os cardápios brasileiros

Uma tendência que vinha crescendo nas regiões do interior do Brasil finalmente chegou com força aos bares e restaurantes das grandes cidades. Esta semana, reportagens de todo o país apontam para o mesmo fenômeno: as chamadas carnes exóticas estão deixando de ser curiosidade regional e virando item de cardápio com fila de espera.


O que está acontecendo?

As carnes exóticas estão deixando de ser exclusivas de tradições regionais e passam a ocupar espaço em bares e restaurantes que buscam inovar, despertar a curiosidade do consumidor e oferecer experiências gastronômicas diferenciadas. O movimento vem sendo acompanhado pela Abrasel, associação do setor, que aponta diversidade e autenticidade como estratégias cada vez mais valorizadas para atrair clientes.


Quais são os pratos que estão fazendo sucesso?

Em Belo Horizonte, o Kobes Emporium Bar, no bairro Santa Tereza, tem quase três décadas de casa apostando exatamente nisso. Os campeões de pedido são a codorna assada na brasa e a rã à milanesa — e segundo o fundador Afonso Alves, a demanda vai muito além da curiosidade: está ligada à memória afetiva. "O que a gente percebe é que são pessoas que muitas vezes vieram do interior, porque no interior você consome mais esse tipo de carne", revela.

Já no Pantanal, o Restaurante Miguéis, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, é referência em carne de jacaré. Os pratos mais pedidos são as coxinhas de jacaré com massa de mandioquinha e o jacaré ao molho de urucum — um prato que une identidade regional e técnica culinária de alto nível.


Mas é legal vender essas carnes?

Sim — e esse é um dos pontos mais curiosos da notícia. No Brasil, a comercialização dessas carnes só é permitida quando a produção vem de criadouros regularizados e fiscalizados por órgãos ambientais. A caça de animais silvestres continua sendo proibida por lei desde 1967. Ou seja, o jacaré que chega ao prato do restaurante passou por um processo tão rigoroso quanto o de qualquer outro produto de origem animal.


Por que isso chama tanto atenção agora?

Porque o Brasil tem uma das biodiversidades mais ricas do mundo — e grande parte dela nunca chegou à mesa. O movimento atual de chefs e proprietários de restaurantes está resgatando ingredientes que fazem parte da cultura alimentar de populações inteiras do interior e do Pantanal, mas que foram ignorados pela gastronomia urbana por décadas.


💡 O dado curioso: a carne de jacaré, além de saborosa, tem baixo teor de gordura e alto valor proteico — o que faz alguns nutricionistas começarem a encará-la como uma alternativa interessante às carnes convencionais. O que hoje é novidade no cardápio pode ser o alimento do futuro.







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