O São Paulo não atendeu a uma solicitação da força-tarefa montada pela Polícia Civil e o Ministério Público (MP) que investiga a comercialização irregular de camarotes no MorumBis para que fosse entregue o contrato que o clube mantém com a Live Nation, responsável pela realização de shows no estádio. A informação foi divulgada pelo Uol e confirmada pelo Estadão.
À reportagem, o departamento jurídico explicou que "o São Paulo entendeu que a cláusula de confidencialidade do contrato só permite o compartilhamento mediante ordem judicial". A requisição formal para a entrega do documento foi solicitada pela Polícia Civil, cuja relação com o clube, apesar da negativa, é considerada excelente.
O Estadão apurou que a força-tarefa considera o contrato como uma peça de estudo imprescindível para a investigação e se surpreendeu com a postura do São Paulo em não compartilhar o documento. A Polícia Civil e o MP ainda aguardam outros documentos prometidos pelo São Paulo que não foram entregues.
O São Paulo ingressou com um pedido na Justiça para ter acesso aos autos da investigação na qualidade de vítima, mas teve a solicitação indeferida por duas vezes. O juiz de primeira instância alegou não existe previsão legal para a vítima atuar no inquérito policial.
O artigo 268 do Código de Processo Penal permite que a vítima atue como assistente da acusação, mas só após o início do processo judicial, ou seja, depois da denúncia do Ministério Público. Sem acesso ao conteúdo e abrangência das investigações, o São Paulo optou por não infringir a cláusula do contrato com a Live Nation até o recebimento de ordem judicial.
A parceria entre São Paulo e a Live Nation teve início em 2023 e foi renovada, em junho do ano passado, até 2031. O acordo colocou o MorumBis na rota de apresentações internacionais na capital paulista e, desde então, a casa tricolor já recebeu shows de artistas como Coldplay, Oasis, Imagine Dragons e Shakira. O show da artista colombiana, por sua vez, acabou se tornando o pivô do esquema investigado pela força-tarefa.
O inquérito conduzido pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) concluiu que o São Paulo foi vítima de uma "associação criminosa profissionalizada". Segundo o relatório policial, o grupo era composto por Rita de Cássia Adriana Prado, Mara Casares, Douglas Schwartzmann e o ex-superintendente Marcio Carlomagno, que atuavam como sócios informais em um esquema de comercialização clandestina de camarotes no estádio do Morumbis.
RELEMBRE O CASO DO CAMAROTE DO SÃO PAULO
O Estádio do MorumBis conta com diversos camarotes que são usados em jogos e shows. Um deles é o camarote 3A, espaço que não é comercializado e que fica em frente ao gabinete do presidente. O local é conhecido como "Sala Presidencial".
Mara Casares e Douglas Schwartzmann estariam envolvidos em um esquema de venda de ingressos do camarote 3A, uma ação não autorizada e que seria feita de forma "clandestina", como os próprios diretores licenciados afirmam em áudio.
Nesta conversa, Mara e Schwartzmann falam com Rita de Cassia Adriana Padro, conhecida como Adriana, da The Guardians Entretenimento Ltda, que seria intermediária na venda e repasse das entradas desse camarote para terceiros.
Adriana ingressou com um processo contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda, acusando-a de ter tirado de suas mãos 60 ingressos para um show da colombiana Shakira.
Esses 60 tickets seriam comercializados por R$ 132 mil. No entanto, Adriana alega que recebeu apenas R$ 100 mil. Carolina diz que pagou o combinado, está sendo vítima de calúnia e teve prejuízos. O processo foi retirado posteriormente.
A ação tornou o caso público. Dada a situação, Mara e Schwartzmann pressionaram Adriana a retirar o processo para que a ação ilícita não se tornasse de conhecimento geral.
A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar o caso. Este é uma das três investigações que envolvem o clube, conduzidas por uma força-tarefa junto do Ministério Público.
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