A Midjourney, empresa famosa por gerar imagens artísticas com inteligência artificial, anunciou seu primeiro produto de hardware, e ele não tem nada a ver com arte. É um scanner de corpo inteiro por ultrassom.
David Holz, fundador e CEO da empresa, apresentou o aparelho em um evento em São Francisco e, junto com ele, uma nova divisão chamada Midjourney Medical. A ideia é tão estranha quanto ambiciosa: a pessoa entra em uma piscina rasa e desce lentamente, a cerca de cinco centímetros por segundo, atravessando um anel com meio milhão de minúsculos sensores, cada um do tamanho de um grão de areia. Esses sensores disparam ondas sonoras de todos os ângulos e capturam como elas atravessam pele, músculo, gordura e osso.
Os dados são processados por um cluster de computação que reconstrói uma imagem tridimensional do interior do corpo em cerca de 60 segundos, sem radiação e sem os ruídos ou ímãs de uma ressonância magnética tradicional. Holz chegou a afirmar que o resultado é, em vários aspectos, superior ao de uma ressonância, uma alegação que ainda não tem comprovação independente.
O hardware foi desenvolvido em parceria com a Butterfly Network, fabricante de tecnologia de ultrassom em chip que a Midjourney licenciou em novembro de 2025. Cada máquina usa 40 desses módulos.
O detalhe mais curioso, no entanto, é o plano de distribuição. Em vez de vender o equipamento para hospitais, a Midjourney quer abrir uma rede própria de spas. A primeira unidade está prevista para 2027, em San Francisco, combinando os scanners com saunas, banheiras de gelo e ambientes de bem-estar relaxantes, transformando o exame médico em algo parecido com um dia de spa.
Como o aparelho ainda não tem aprovação da FDA, a empresa vai se limitar por enquanto a oferecer "mapas de composição corporal", e não exames diagnósticos formais, já que estes exigiriam um crivo regulatório muito mais rígido. Até o momento do anúncio, apenas uma dúzia de pessoas havia passado pelo scanner em fase de testes.
0 Comentário(s)