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Com mais um dia de liquidez reduzida nos negócios e ausência de gatilhos relevantes, os juros futuros intermediários e longos oscilaram entre viés de alta pela manhã e leve queda na segunda etapa do pregão, terminando o dia praticamente estáveis. Em um jogo de forças entre o recuo do dólar e a abertura dos Treasuries, as taxas passaram o dia sem se afastar dos ajustes anteriores, mesmo no trecho curto da curva a termo, que teve avanço um pouco maior.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,696% no ajuste de ontem para 13,735%. O DI para janeiro de 2029 passou de 13,004% no ajuste anterior para 13,015%. O DI para janeiro de 2031 marcou 13,345%, vindo de 13,316% no ajuste.
"Hoje [terça-feira, 06] foi um pregão de acomodação dos juros. O fluxo é muito baixo esta semana e o movimento da curva fica a mercê do especulativo", aponta Pedro Cutolo, estrategista da One Wealth Management. "Não tem novidades. O desenrolar vai ser mais para frente, quando entrarem dados de inflação", disse.
Os investidores aguardam os números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro e do acumulado de 2025, a serem conhecidos na sexta-feira. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, o consenso de mercado projeta alta de 0,37% para o indicador oficial de inflação no último mês, e de 4,31% no ano - abaixo, portanto, da banda superior da meta de inflação, de 4,5%.
Nesta terça-feira, 06, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou seu IPC, que mede a variação de preços na cidade de São Paulo, referente a dezembro. O índice acelerou de 0,20% em novembro para 0,32% na última medição. Segundo a BuysideBrazil, os destaques no mês foram o aumento em eletricidade (+3 pontos-base), frutas (+3 pontos-base) e tomate (+4 pontos-base).
"Em relação à nossa projeção para o IPCA de dezembro, ao reponderar com base nos pesos do IPCA, este número aponta para um viés de baixa, com destaques para leite e derivados, etanol e gasolina", afirma a consultoria em relatório. "No entanto, carnes e alimentação fora de casa contrabalançam com um viés de alta para a nossa projeção", pondera.
A BuysideBrazil trabalha com aumento de 0,33% para o indicador do IBGE no período. Segundo os economistas da consultoria, os principais pontos de atenção são itens voláteis - carnes, frutas e transporte por aplicativo - "que novamente aumentam a incerteza em torno do número principal". Para bens industriais, o risco é de baixa. Já nos serviços subjacentes e a média dos núcleos, os riscos são limitados, avaliam.
Do lado da atividade, foi publicado o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços no Brasil, que subiu de 50,1 pontos em novembro para 53,7 pontos em dezembro, maior ritmo de expansão em mais de um ano. Leituras acima de 50 pontos indicam avanço do nível de atividade.
"Para os juros, isso aponta postergação da possibilidade de redução", afirma Cutolo, da One, para quem o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC vai cortar a Selic em abril deste ano. Em sua visão, o colegiado deve retirar no próximo comunicado a palavra "bastante" e, na reunião de março, o termo "prolongado", para então, enfim, diminuir o juro básico.
"Mesmo o corte em abril está dependendo de dados, tanto do lado externo quanto local", pondera o estrategista. "Esse PMI indicou uma economia um pouco mais forte, algo que o BC precisa ficar de olho".
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