Um alerta vindo diretamente da Universidade de São Paulo (USP) está chamando atenção: os dados coletados pelo seu relógio inteligente podem estar sendo usados por empresas de forma bem menos inocente do que parece.
O interesse de empresas por dados de saúde cresceu muito porque hoje eles podem ser coletados com mais facilidade por dispositivos como smartwatches e smartphones. Esses dados são altamente valiosos por serem pessoais e manterem relevância ao longo do tempo, permitindo prever riscos e comportamentos — algo especialmente útil para seguradoras e planos de saúde.
O ponto mais curioso e preocupante: além de informações médicas tradicionais, também são coletados dados comportamentais, como sono, batimentos cardíacos e até pesquisas na internet.
E o que fazem com tudo isso? Embora possam melhorar diagnósticos e tratamentos, o grande problema está no uso pouco transparente dessas informações, que pode levar à discriminação, como aumento de preços ou negação de cobertura por parte dos planos de saúde.
Há ainda outro risco que poucas pessoas consideram: dados de saúde não podem ser "trocados" como senhas e são alvos frequentes de ataques cibernéticos. Ou seja, diferente de uma senha vazada que você muda em minutos, seu histórico de frequência cardíaca, padrões de sono e nível de estresse são permanentes — e uma vez expostos, não há como "resetar".
A análise é de pesquisadoras da Faculdade de Saúde Pública da USP e chega num momento em que os smartwatches são cada vez mais sofisticados. Vale a pena pensar duas vezes antes de aceitar aquele termos de uso sem ler.
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