Uma solução definitiva para o Banco de Brasília (BRB) será apresentada em até 30 dias e o banco não irá quebrar, afirmou a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), ao deixar reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na manhã desta quinta-feira, 9. O encontro ocorreu em São Paulo.
"No prazo de menos de 30 dias, nós teremos uma situação totalmente diferente da que nós estamos vivendo", disse Celina a repórteres ao deixar o prédio da autarquia na capital paulista. "Em 30 dias, daremos uma solução definitiva para o banco, e o banco não irá quebrar."
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, também viajou a São Paulo para participar do encontro. Pelo BC, além de Galípolo, participaram os diretores Ailton de Aquino e Gilneu Vivan, mas a participação dos dois ocorreu por videoconferência, de Brasília.
Celina também afirmou que apresentou um plano técnico feito pela nova gestão do BRB ao BC. Ela observou que recém assumiu o governo do DF e como controladora tem que mostrar à autoridade monetária que o "BRB tem toda a condição para cumprir aquilo que está previamente acordado com o BC".
Além do encontro com a autoridade monetária, a governadora e o presidente do BRB também farão uma série de reuniões com bancos e instituições financeiras da Faria Lima.
Na quarta-feira, ao participar de audiência na CPI do Crime Organizado, Galípolo repetiu que o BRB tem um problema de patrimônio por causa do seu envolvimento com o Banco Master. Essa situação, disse, só pode ser solucionada por meio de um aporte do seu controlador, o governo do DF.
O BRB deveria ter publicado o balanço de 2025, com detalhes sobre o impacto do seu envolvimento com o Master, no último dia 31. No ano passado, o banco comprou R$ 12,2 bilhões em créditos falsos do Master. O BRB trocou essas carteiras inexistentes por outros ativos, mas há dúvidas sobre o seu valor.
No entanto, o governo do DF não conseguiu levantar recursos para capitalizar o banco, e o prazo foi descumprido. A tendência é que seja necessária uma provisão próxima de R$ 8 bilhões para fazer frente às perdas, o que exige um aporte no capital do banco. O governo do DF ainda não conseguiu levantar os recursos para capitalizar o banco. Uma nova assembleia está marcada para o dia 22 para votar a capitalização.
A ida a São Paulo ocorre na esteira de o BRB concluir investigação independente sobre fatos ligados à operação "Compliance Zero". O material foi encaminhado à Polícia Federal.
Afastamentos
Também nos últimos dias, a governadora determinou o afastamento de um grupo de servidores e dirigentes do banco ligados à antiga gestão do BRB.
"Houve o nosso pedido de dar retirada sem prévio juízo de valor, até porque tem um processo criminal que corre, mas para dar mais transparência nesse momento em que as pessoas precisam de ter a credibilidade", disse Celina, nesta quinta-feira, sobre os afastamentos.
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