Embora não tenha trazido novidades frente ao comunicado que explicitou a intenção de diminuir a Selic em março, a confirmação do plano de voo do Banco Central, dada nesta terça-feira, 03, pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom), aumentou as apostas de que o primeiro corte será de 0,50 ponto porcentual e deu alívio à curva a termo no pregão.
Junto à mensagem reforçada de que o ajuste inicial dos juros deve ir de encontro à maioria das estimativas dos agentes de mercado, o tombo mais forte do que o previsto da produção industrial em dezembro endossou a visão de que o ciclo terá início com um afrouxamento maior do que 25 pontos-base. Além dos dados econômicos, a tendência global de desvalorização do dólar, combinada a um fluxo positivo para mercados emergentes que favorece o real, também deu suporte ao fechamento da curva.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 13,451% no ajuste de segunda para 13,435%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 12,759% no ajuste anterior para 12,74%. O DI para janeiro de 2031 fechou em 13,145%, igual ao ajuste antecedente.
Na ata de sua última reunião, o colegiado do BC reiterou que, caso o cenário projetado se confirme, vai dar o primeiro passo em seu ciclo de ajuste da Selic no próximo encontro do Copom. Assim como feito no comunicado, a autoridade monetária sustentou que o ritmo será dependente de dados econômicos, mas destacou que há melhora na inflação corrente e nas expectativas inflacionárias.
Após a divulgação do documento, Santander e Itaú revisaram suas projeções para a magnitude do primeiro corte da Selic, de 25 pontos-base para 50 pontos-base. A taxa final esperada para 2026 foi mantida pelas duas instituições, em 12,5% e 12,75%, respectivamente. Mas o Santander observa, em relatório, que vai reavaliar o cenário posteriormente.
Head de política monetária do banco, o economista Marco Antonio Caruso aponta que a ata foi neutra em relação ao comunicado, mas mesmo assim trouxe outro recado da autoridade monetária: "ao não se opor ao preço de mercado inclinado para um movimento inicial maior, o Copom sinalizou conforto com um corte de 50 pontos-base, condicionado à confirmação do cenário", afirmou em relatório.
Diante da ausência de tentativa de recalibração das expectativas por parte do BC, de um ambiente global mais fraco para o dólar e, por aqui, quadro de inflação benigna e PIB praticamente estável no segundo semestre, Caruso passou a prever corte de 0,5 ponto do juro básico no próximo mês.
A precificação da curva de juros nesta terça também indicou mais operadores migrando para essa probabilidade, que já era majoritária. Segundo cálculos de Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, por volta das 16h, a chance de uma redução de 0,5 ponto em março apontada pela curva estava em 92%. Segunda, esse porcentual era de 68%.
Para Rostagno, a ata teve tom neutro se comparada ao comunicado, mas a produção industrial, ao indicar uma perda de ímpeto maior da atividade na reta final de 2025, contribuiu com o fechamento da curva. E, também, com a visão dominante de que o primeiro ajuste para baixo na Selic será mais expressivo. Este já era o cenário-base da EPS, que segue projetando o juro básico em 12% ao final do ano.
"A produção industrial mais fraca mostra que a política monetária restritiva está fazendo efeito e, se os dados continuarem vindo nessa tendência, o BC tende a começar o ciclo com corte de 50 pontos-base. Não é só a ata que foi o vetor dos DIs desta terça, mas o dado da indústria também", avalia o estrategista.
Divulgada na abertura dos negócios pelo IBGE, a atividade industrial recuou 1,2% entre novembro e dezembro, feitos os ajustes sazonais - mais do que o dobro da queda prevista pela mediana de analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, de -0,5%. No último trimestre de 2025, a produção diminuiu 0,7% frente ao terceiro trimestre na comparação dessazonalizada.
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