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Taxas de juros curtas recuam, de olho em serviços e CPI dos EUA levemente mais fracos

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Embora não tenham mudado significativamente as apostas para os próximos passos da política monetária nos dois países, o resultado dos serviços no Brasil e, em seguida, o do índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos - levemente abaixo do esperado em ambos os casos - consolidaram os juros futuros negociados na B3 em terreno negativo desde a abertura na sessão desta terça-feira, 13. Os vértices intermediários e longos fecharam praticamente de lado, mas operaram em baixa em boa parte da segunda etapa do pregão.

Publicada na abertura pelo IBGE, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrou queda de 0,1% no volume prestado pelo setor entre outubro e novembro, feitos os ajustes sazonais, ante expectativa de aumento de 0,1% da mediana do Projeções Broadcast. Foi a primeira redução nessa comparação após nove meses seguidos de alta, o que, aliado a um maior número de setores em baixa, reforçou a visão de que o aguardado corte na Selic está próximo.

Já o CPI subiu 0,3% em dezembro em base ajustada sazonalmente, segundo o Departamento do Trabalho. Na comparação anual, o CPI avançou 2,7%. As duas métricas vieram em linha com a mediana do Projeções Broadcast, mas os núcleos ficaram cerca de 0,1 ponto abaixo do previsto, fornecendo alívio à curva dos Treasuries e se somando aos dados domésticos de atividade mais fracos por aqui.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,736% no ajuste de segunda-feira, 12, para 13,695%. O DI para janeiro de 2029 oscilou de 13% no ajuste anterior a 12,99%. O DI para janeiro de 2031 marcou 13,3%, vindo de 13,288% no ajuste.

"Abrimos os mercados com uma PMS mais fraca, que aponta para uma atividade mais frágil, e na sequência os Treasuries reagiram ao CPI levemente mais acomodatício", resume Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Segundo Sanchez, a avaliação de que a atividade está de fato perdendo ímpeto não veio do número cheio dos serviços, mas sim da abertura do levantamento, que trouxe retração em dois dos cinco segmentos pesquisados pelo IBGE: transportes (-1,4%) e serviços de informação (-0,7%). Já os serviços prestados às famílias ficaram no zero a zero, depois de queda de 0,5% em setembro e alta de 0,1% em outubro.

"Os serviços para famílias permaneceram estáveis mais uma vez, reforçando que o consumo das famílias tem se concentrado mais em bens ultimamente", apontam os economistas Gabriel Couto e Rodolfo Pavan, do Santander, que seguem prevendo estabilidade para o PIB no quarto trimestre, à medida que os efeitos do aperto monetário estão se materializando sobre a demanda.

Para a Kínitro Capital, a pesquisa de serviços corrobora que a atividade está em desaceleração gradual e que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve dar início ao ciclo de afrouxamento da Selic na reunião de março. Já Sanchez, da Ativa, espera redução somente em abril. "O BC vai aproveitar para construir credibilidade, em linha com uma estratégia 'hawkish hold'", disse.

Nos cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, a curva de juros futuros precificava, por volta das 16h40, 30% de chance de redução do juro básico em janeiro, de 25 pontos-base. A curva já aponta 5% de probabilidade de um corte maior em março, de 50 pontos-base, ante 95% de chance de alívio de 25 pontos-base.

Já lá fora, o CPI ampliou expectativas de que o Federal Reserve (Fed) pode diminuir os juros no mesmo mês, mas essa visão segue minoritária. Segundo o CME Group, a probabilidade de corte de 0,25 ponto porcentual em março está em cerca de 28%, ante 24% antes do dado. A hipótese de alívio em junho continua a mais provável.

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