Continue lendo o artigo abaixo...
Após ter perdido tração na esteira do movimento global de aversão ao risco, devido ao aumento da tensão entre Estados Unidos e Irã, a queda dos juros futuros retomou fôlego na segunda etapa do pregão - o sétimo consecutivo de alívio na curva a termo.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostraram perda líquida maior que a prevista de vagas formais em dezembro, renovaram o ânimo dos investidores com o ciclo de afrouxamento monetário que se aproxima.
Tendo como principal vetor a sinalização clara de quarta do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central - de que, tudo o mais constante, deve haver corte da Selic em março -, importantes players do mercado voltaram a se posicionar em contratos futuros de DI, enquanto as apostas de redução de 50 pontos-base do juro básico na próxima reunião do Copom continuaram crescendo. A virada do dólar, que voltou a operar no terreno negativo ao longo da tarde, também deu suporte ao declínio dos juros futuros.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 13,526% no ajuste de quarta para 13,475%. O DI para janeiro de 2029 diminuiu de 12,792% no ajuste antecedente a 12,695%. O DI para janeiro de 2031 recuou a 13,06%, vindo de 13,102% no ajuste anterior.
Os DIs começaram o dia caindo em bloco depois da surpresa dos agentes com o recado deixado pelo BC nesta quarta-feira, considerado mais explícito, sobre o próximo passo da política monetária. O comunicado que acompanhou a decisão de manter a Selic em 15% apontou que "o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião".
No início da tarde, porém, o dólar passou a operar em alta, em linha com o mau humor vindo do cenário externo, após renovadas ameaças entre Washington e Teerã, o que diluiu o fechamento da curva a termo. A partir das 14h30, quando o Caged de dezembro e de 2025 foi divulgado pelo Ministério do Trabalho, o DI para janeiro de 2027 voltou a ceder cerca de 5 pontos-base ante o ajuste, e o miolo da curva, cerca de 10 pontos-base. No último mês, houve perda líquida de 618.164 vagas com carteira assinada, quando a expectativa mediana do Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, indicava saldo negativo de 481.300 postos.
Nos cálculos com ajuste sazonal do Inter, o saldo de vagas celetistas ficou perto de zero em dezembro. "Tendo em vista o comunicado do Copom na reunião de quarta, o resultado do Caged vai na direção do cenário projetado pelo Comitê, que pretende iniciar o ciclo de cortes em março", avalia o economista André Valério.
Para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, o indicador foi secundário para determinar a movimentação dos DIs nesta quinta-feira, 29, que responderam mais, em sua visão, à indicação do Copom para março. Após a reunião de quarta, Cruz passou a projetar redução de 0,50 ponto da Selic no próximo encontro do colegiado, ante 0,25 ponto anteriormente.
"Ficou óbvio que o corte vai começar em março, e dá para entender porque a curva inteira se ajustou para baixo logo que o mercado abriu. O mercado americano mudou um pouco a situação, mas por aqui, a discussão segue sobre se o primeiro corte será de 0,25 ou 0,50 ponto", diz Cruz, que aposta no segundo cenário, e espera que a Selic alcance 11,5% até o final de 2026.
Nos cálculos de Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, a precificação implícita na curva apontava, na parte da tarde, 80% de chance de ajuste de 0,50 ponto do juro básico em março, contra 20% de probabilidade de corte de 0,25 ponto. Já a Selic terminal precificada para 2026 recuou ligeiramente entre a primeira e a segunda etapas do pregão, de 11,95% a 11,85%.
Com o ciclo de afrouxamento monetário próximo, o Citi voltou a se posicionar no mercado de juros futuros brasileiro. "Com um corte à vista (o Citi espera um corte de 25 pontos-base na reunião de março), iniciamos uma posição aplicada nos DIs de janeiro de 2029", informa a instituição em relatório a clientes.
Seja o primeiro a comentar!